O Banco Central Europeu (BCE) escusou-se esta quinta-feira a comentar eventuais impactos no Banco Espírito Santo (BES) decorrentes da situação no Grupo Espírito Santo (GES), justificando com o facto de ainda não ser o supervisor responsável pelo banco.

«O BCE ainda não é supervisor do BES, portanto não fará nenhum comentário», disse à Lusa fonte oficial da instituição liderada por Mario Draghi,

A instituição monetária vai assumir a supervisão direta dos maiores bancos da zona euro em novembro deste ano, quando assumir o mecanismo único de supervisão bancária, um dos mecanismos da futura união bancária. Antes disso, o BCE realiza testes de 'stress' aos maiores bancos europeus, entre os quais os portugueses BPI, BCP, Caixa Geral de Depósitos e BES.

Já o Banco de Portugal voltou a afirmar que o BES está sólido, repetindo o que já tinha dito a semana passada.

«A situação de solvabilidade do BES é sólida, tendo sido significativamente reforçada com o recente aumento de capital», disse a entidade liderada por Carlos Costa, acrescentando que tem vindo a «adotar um conjunto de ações de supervisão, traduzidas em determinações específicas dirigidas à ESFG [Espírito Santo Financial Group] e ao BES, para evitar riscos de contágio ao banco resultantes do ramo não-financeiro do GES».

Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para a permanência de vulnerabilidade no sistema financeiro português, considerando que são necessárias medidas corretivas e mesmo supervisão intrusiva em alguns casos, numa resposta à comunicação social sobre a situação no BES.

O FMI considerou que o sistema financeiro português «tem sido capaz de suportar a crise sem uma disrupção significativa, suportado por um apoio de capital público significativo e medidas extraordinárias do BCE».