A Moodys considerou esta segunda-feira que a estrutura da dívida portuguesa é «muito diferente» da grega e «muito mais comparável» com a irlandesa e disse esperar que Portugal garanta a adoção um programa cautelar garantido pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade.

Num relatório hoje divulgado, a Moodys avaliou a operação de troca de dívida que as autoridades realizaram na semana passada e que permitiu «empurrar» para 2017 e 2018 cerca de 6,64 mil milhões de euros de dívida que tinha de ser paga originalmente em 2014 e 2015.

«A estrutura de dívida de Portugal, o acesso aos mercados

atual e prospetivo e a distribuição dos títulos de dívida pública são muito diferentes dos da Grécia antes da reestruturação da sua dívida e muito mais comparáveis com os da Irlanda, que saiu do programa de apoio este mês», referiu a agência de rating.

A Moodys escreveu ainda que espera que «as autoridades portuguesas se esforcem para garantir uma linha de crédito preventiva do Mecanismo Europeu de Estabilidade, o que iria apoiar a confiança dos investidores».

Referindo que mais de 60% dos detentores de títulos de dívida pública nacional aceitaram trocar as obrigações por outras de maturidade mais extensa, a agência de notação financeira considerou que «a procura significativa» dos títulos de dívida portuguesa sugere que «os investidores estão a reganhar a confiança» para assumirem uma exposição mais longa à dívida de Portugal.

No início de novembro, a Moodys alterou as perspetivas sobre o rating da dívida pública portuguesa, de negativas para estáveis, tendo em conta a melhoria da posição orçamental e o compromisso do Governo em relação à consolidação orçamental, bem como a evolução económica positiva e o «reduzido risco» de uma reestruturação da dívida.

No dia 03 de dezembro, Portugal conseguiu «empurrar» para 2017 e 2018 cerca de 6,64 mil milhões de euros de dívida que tinha de pagar originalmente em 2014 e 2015, numa operação de troca de dívida realizada pelo IGCP, a agência que gere a dívida pública portuguesa.

Portugal tinha cerca de 27 mil milhões de euros para pagar em 2014 e 2015 só em dívida de médio e longo prazo, e acaba por reduzir para menos de 21 mil milhões de euros.

Com esta operação, no próximo ano, quando termina o atual programa de resgate da 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) e se espera que Portugal regresse aos mercados para financiar a dívida de médio e longo prazo de forma mais assídua, depois de duas operações realizadas este ano em que testou os mercados, Portugal fica com menos cerca de dois mil milhões de euros para pagar.

Já para 2015, a carga estava concentrada num único mês e é reduzida em cerca de quatro mil milhões de euros, o que permite reduzir o pagamento da linha de obrigações que existia para menos de 10 mil milhões de euros, ao contrário dos 13,4 mil milhões que estavam previstos.