As empresas Parvalorem e Parups, detentoras da coleção de arte Miró, foram notificadas para pagar as coimas pela saída ilegal das obras em 2013, revelou fonte da Direção-Geral do Património, valor que segundo as empresas ronda os 35.000 euros.

O valor indicado pela Parvalorem e pela Parups fica bastante abaixo do mínimo definido por lei para estes casos, que vai de 100 mil a 500 mil euros, segundo disse em março, no Parlamento, o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier.

De acordo com fonte das duas empresas, cada uma foi notificada a pagar uma coima de 17.457,92 euros, noticia a Lusa.

Contactada pela Lusa sobre a situação do processo de contraordenação, o gabinete de comunicação da Direção-Geral do Património Cultural (DGCP) indicou que as empresas «foram notificadas para pagar uma coima por terem pedido autorização de saída das obras fora do prazo legal».

De acordo com a Lei de Bases do Património Cultural, qualquer expedição de obras de arte, independentemente de estarem ou não classificadas, exige a comunicação à autoridade competente até 30 dias antes da saída.

«Esta coima refere-se à saída das obras no final de 2013. O pedido feito já este ano para a saída das obras em abril cumpriu os prazos legais», indicou a mesma fonte da DGPC, entidade a quem compete avaliar estes casos, que se escusou a indicar o valor da multa.

A Parvalorem e a Parups são sociedades anónimas de capitais públicos criadas em 2010 pelo Estado para gerir os ativos e recuperar créditos do ex-Banco Português de Negócios (BPN).

Entre os ativos do BPN estava a coleção de 85 obras do artista catalão Joan Miró (1893-1983) que o Estado decidiu vender e a Christie's foi contratada para leiloar as peças em Londres.

A venda da coleção esteve inicialmente marcada para fevereiro, mas acabou por ser cancelada pela Christie's, que não considerou a venda legalmente segura, depois de o Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa (TACL) ter apontado ilegalidades na saída das peças de Portugal.

Os dados do processo na DGPC indicam que a autorização de saída tinha sido pedida já depois de as obras terem deixado o país.

Contactado pela Lusa, o presidente da Parvalorem e da Parups, Francisco Nogueira Leite, confirmou ter sido notificado da multa: "Fomos de facto notificados e naturalmente remetemos esse assunto para os nossos advogados, que estão em contacto com o advogados da Christie¿s para adotarem uma decisão em tempo útil.

«Como é sabido, a nossa posição é a mesma desde sempre e decorre do facto de estas responsabilidades contratuais não nos serem imputáveis», acrescentou, indicando que esta questão é da responsabilidade da leiloeira, a quem caberá decidir pelo pagamento ou a contestação desta multa.

Contactado pela Lusa sobre a diferença entre os valores previstos por lei e a multa recebida pelas empresas, o gabinete do secretário de Estado respondeu que é competência da DGPC tratar da contraordenação "bem como a sua decisão final, cabendo-lhe encontrar o valor da coima que se mostrar mais adequado".

«No apuramento desse valor são tidos em conta diversos parâmetros que resultam dos factos apurados e da resposta da entidade responsável, tal como o grau da ilicitude do ato praticado, os seus efeitos para o património, a culpa do agente, entre outros», justifica.

Quanto aos montantes das coimas referidos pela Parvalorem e pela Parups, segundo a secretaria de Estado da Cultura, «correspondem a valores que são passíveis de ser aplicados dentro das situações previstas na lei».

Apesar da empresa ter recebido em abril deste ano o aval da DGPC para a saída das obras, no final desse mês, o TACL decretou uma medida provisória para impedir a saída da coleção do país, após o Ministério Público ter interposto uma terceira providência cautelar sobre este caso, e a Parvalorem e a Parups pediram também o levantamento da decisão ao tribunal.