A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou numa ação de campanha para as legislativas alemãs que a Grécia nunca deveria ter entrado na zona euro e responsabilizou o seu antecessor social-democrata Gerhard Schröder por esse erro.

Quando falta menos de um mês para as eleições legislativas de 22 de setembro, Angela Merkel endureceu o seu discurso eleitoral e culpou os principais rivais políticos, o Partido Social-Democrata (SPD) e Os Verdes, de terem consentido, em 2001, a adesão da Grécia ao euro, contribuindo assim para fragilizar a estabilidade da moeda única e para os atuais problemas que assolam a Europa.

«A crise surgiu ao longo de vários anos, devido a erros na fundação do Euro - por exemplo, a Grécia nunca deveria ter sido admitida na zona euro», afirmou Merkel, num comício eleitoral na noite de terça-feira na cidade de Rendsburg, no Estado federado de Schleswig-Holstein (norte), e que foi transmitido pelo canal noticioso alemão NTV.

A chefe do governo alemão, que procura um terceiro mandato, culpou mais especificamente os governos de coligação entre o SPD e Os Verdes ¿ liderados pelo seu antecessor social-democrata Gerhard Schröder entre 1998 e 2005 ¿ não só pela admissão de Atenas, em 2011, mas também por terem «fragilizado o Pacto de Estabilidade».

Duas decisões que se «revelaram totalmente erradas e que são um ponto de partida que nos levaram as atuais dificuldades», vincou Merkel, que já no sábado tinha lançado um duro ataque contra o SPD acerca do mesmo assunto.

A crise na zona euro e a gestão que Berlim tem feito dessa mesma crise estão a revelar-se temas importantes na campanha eleitoral, apesar de não serem considerados fraturantes.

Uma sondagem divulgada na semana passada dava, pela primeira vez, uma clara vantagem (quatro pontos percentuais) à coligação liderada por Angela Merkel.

Há meses que a União Democrata-Cristã (CDU), o partido da chanceler Angela Merkel, e a sua congénere da Baviera, a União Social-Cristã (CSU), lideram as sondagens. Mas essas mesmas projeções não davam, nem uma maioria absoluta à atual coligação do Governo liderada por Merkel, nem para uma potencial aliança à esquerda entre o Partido Social-Democrata (SPD) e Os Verdes.

A coligação liderada pela chanceler alemã integra também o Partido Liberal (FDP). Os liberais têm vindo a descer nas intenções de voto já há algum tempo e, segundo vários analistas, até correm perigo de não chegar aos 5% necessários para obter representação no Parlamento alemão.

De acordo com a sondagem realizada pelo instituto Forsa, que a revista "Stern" publicou na semana passada, a coligação CDU/CSU (41%) e os liberais do FDP (6%) obteria 47% dos votos.

Enquanto a possível coligação entre o SPD (22%), Os Verdes (13%) e o partido de esquerda Die Linke (8%) receberia apenas 43%, um resultado que não seria suficiente para bater os 47% da coligação de Merkel.

Analistas políticos continuam a afirmar que o resultado mais provável passa pela formação de uma grande coligação entre a CDU/CSU e o SPD, ou uma aliança, inédita a nível federal mas já experimentada em governos regionais, entre a CDU/CSU e Os Verdes, escreve a Lusa.