O investimento direto estrangeiro feito a nível mundial diminuiu 18% no ano passado, para 1,35 triliões de dólares, segundo um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento - UNCTAD, apresentado pelo secretário-geral, Mukhisa Kituyi.

De acordo com o relatório da UNCTAD sobre o investimento mundial (World Investment Report 2013), os investimentos feitos por empresas noutros países deverão recuperar da queda do ano passado, mas «o caminho continua acidentado», uma vez que os investidores estão «relutantes em expandir os seus negócios por causa da incerteza política e da fragilidade económica global», disse Kituyi num discurso no Fórum dos Investimentos Internacionais, durante a 17ª Feira Internacional da China para o Investimento e Comércio, que decorre em Xiamen esta semana.

Apesar do decréscimo no volume total, o responsável disse que nem tudo são más notícias, considerando que os países emergentes receberam mais de metade (52%) dos investimentos diretos estrangeiros em 2012, o que é importante não tanto pelo simbolismo do número, mas sim por causa do estímulo que estes valores representam em termos de transferência de tecnologia e de habilitações e de criação de emprego, escreve a Lusa.

Em abril, a OCDE tinha estimado, de forma preliminar, que os investimentos das empresas no estrangeiro caíram 14%, para 1,4 triliões de dólares.

Portugal é caso peculiar

A forte variação nos valores de Investimento Direto Estrangeiro, motivado pela transferência da sede das maiores empresas nacionais para a Holanda, é apresentada pelas Nações Unidas como um caso «peculiar» no relatório.

As empresas portuguesas investiram apenas 1,9 mil milhões de dólares no estrangeiro em 2012, sendo que boa parte desta verba foi para a Holanda através das maiores empresas portuguesas, segundo o relatório da ONU.

De acordo com o World Investment Report, Portugal é um caso peculiar no âmbito dos investimentos diretos estrangeiros devido à relação de proximidade que as maiores empresas mantêm com a Holanda, um paraíso fiscal dentro da União Europeia: «O Investimento Direto Estrangeiro (IDE) de Portugal [das empresas portuguesas] registou um desinvestimento recorde de 7,5 mil milhões em 2010 e depois disparou para 15 mil milhões em 2011, caindo para 1,9 mil milhões em 2012».

Este movimento pouco habitual, escreve o relatório, «foi devido ao IDE para a Holanda, que passou de -7,5 mil milhões em 2010, para 8,9 mil milhões em 2011. A relocalização do capital das empresas portuguesas para a Holanda é, provavelmente, a causa deste padrão peculiar de IDE», nota o relatório, que cita o caso da Jerónimo Martins, que opera uma das maiores redes de supermercado em Portugal, mas cuja holding está sediada na Holanda desde 2011, o mesmo acontecendo «com a maioria, se não todas, as empresas do PSI20».