Havana pode representar, a curto prazo, uma oportunidade de negócio para empresas portuguesas nas energias renováveis, indústria farmacêutica e turismo, defendeu o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, garantindo que Portugal e Cuba vão intensificar também as relações políticas.

«Há uma grande possibilidade de desenvolvermos relações económicas, desde já, a curto prazo, na área das energias renováveis, mas também no setor da indústria farmacêutica, principalmente de genéricos, e do turismo», afirmou à Lusa Luís Campos Ferreira, no final de uma visita à capital cubana.

Durante a deslocação, a primeira de um governante português desde 2009, Portugal e Cuba assinaram um memorando para estabelecer relações políticas regulares, que prevê «trocas de informações periódicas», disse o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, que manteve encontros com o seu homólogo cubano e com os ministros do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, da Indústria e da Energia.

O regime cubano está a registar «uma evolução muito notória» que, aliás, tem sido também verificada por outros países europeus: «Cuba está no radar dos grandes países e dos grandes interesses europeus. Portugal também sente essa oportunidade e Cuba deu a Portugal essa oportunidade.»

No âmbito da visita, foi inaugurada uma estátua de Luís Vaz de Camões, numa praça central na zona histórica de Havana, ao lado do Hotel Ambos Mundos - onde se hospedava o escritor Hemingway - e o Café La Columnata Egipciana, frequentado pelo escritor português Eça de Queirós e onde existe um painel de Almada Negreiros.

O momento, que contou com a presença dos embaixadores em Cuba dos países de língua portuguesa, é «uma homenagem não só a Portugal e a um escritor português, mas uma homenagem que Cuba quis prestar à língua portuguesa, que tem mais de 250 milhões de falantes e é a língua mais falada no hemisfério sul».

Em breve, deverão realizar-se novas visitas a Cuba «para desenvolver as relações económicas», acrescentou Campos Ferreira, que visitou igualmente o México e a República Dominicana.

«A economia dos países da América do Sul apresenta neste momento um conjunto de necessidades e oportunidades que as empresas portuguesas estão em condições de dar uma resposta capaz, competente e interessante», nomeadamente em setores como as tecnologias da comunicação e da informação, energias renováveis, construção civil ou agroalimentar, referiu.

A América Latina «é uma aposta clara deste Governo», destacou Campos Ferreira, lembrando que Portugal está inserido na comunidade ibero-americana.