A Grécia passa à Itália a presidência semestral da UE na segunda-feira, num ano marcado pela mudança de ciclo nas instituições europeias, com a eleição do novo Parlamento Europeu, a que se segue a distribuição dos altos cargos políticos.

Com a particularidade de ter presidido ao Conselho da União Europeia (UE) em pleno resgate, Atenas dá a sua missão por cumprida, merecendo elogios dos seus parceiros por uma liderança organizada, sóbria e, também ela austera - a presidência do bloco europeu mais barata da história -, mas igualmente sem grandes feitos a assinalar.

Com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, que instituiu figuras como o presidente do Conselho e a Alta Representante para os Negócios Estrangeiros - que passaram a presidir às cimeiras de chefes de Estado e de Governo e reuniões de chefes de diplomacia -, as presidências de turno da UE foram «esvaziadas» de muitas competências, passando a ter papéis muito mais discretos, ainda que trabalhosos.

Deste modo, a presidência grega seguiu quase como espetador alguns dos principais acontecimentos que marcaram o primeiro semestre do ano ao nível europeu, como o conflito entre UE e Rússia devido à crise na Ucrânia, além do processo das eleições europeias e escolha do sucessor de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia (Jean-Claude Juncker acabou de ser indigitado, pelo Conselho, na passada sexta-feira).

Entre os dossiers que ainda são competência das presidências semestrais rotativas da UE, destaque ainda assim para alguns avanços na construção da união bancária, que era, de resto, uma das prioridades declaradas da presidência grega, embora também neste caso Atenas tenha tido o auxílio decisivo dos seus parceiros e do Eurogrupo em particular.

Outra das prioridades de Atenas, o combate à imigração ilegal, não conheceu grandes avanços - ou mesmo nenhuns -, mas é também uma das «bandeiras» da liderança seguinte, pois há muito que a Itália anunciou que colocará esta questão, que atinge com especial gravidade o seu território, no topo da agenda da UE nos próximos seis meses, em busca de resultados palpáveis.

O balanço da liderança grega e a apresentação do programa da presidência italiana serão objeto de dois debates esta semana, em Estrasburgo, na quarta-feira, na primeira sessão do Parlamento Europeu, em discussões (separadas) nas quais participarão os chefes de governo grego e italiano, Antonis Samaras e Matteo Renzi.

Na sexta-feira, o Governo italiano reunir-se-á, em Roma, com o colégio da Comissão Europeia, para «o arranque» dos trabalhos do semestre, naquele que será o último encontro do género - entre os executivos de Bruxelas e do país que assume a liderança do bloco europeu - que contará com a participação de Durão Barroso, que, no final de outubro, deixará a presidência da Comissão, após 10 anos no cargo.

Além de Durão Barroso, que será sucedido por Juncker, diversos outros cargos conhecerão mudanças nos próximos meses, como os de presidente do Conselho (atualmente Herman Van Rompuy), do Eurogrupo (Jeroen Dijsslbloem) e de Alto Representante para os Negócios Estrangeiros (Catherine Ashton), além, obviamente, do colégio de comissários, num ano que ficará assim a marcar uma mudança de página na UE.