Paulo Gray, que era diretor do Citigroup para a Península Ibérica em 2005, altura em que o banco tentou vender contratos de swap ao Estado português para maquilhar as contas públicas aos olhos de Bruxelas, assume a responsabilidade pela tentativa de venda destes produtos ao Governo de José Sócrates.

Em declarações à RTP, Paulo Gray, assume a responsabilidade pelo processo. O gestor manteve com os assessores de José Sócrates dois encontros para negociar estes contratos. «Era uma operação de cobertura de taxas de juro, de longo prazo, com consequências no défice e estava claramente explicado na apresentação que essas consequências eram tornadas públicas pelos documentos do Eurostat. Portanto não havia ali nada de escondido», afirmou.

Paulo Gray assume ainda que «a responsabilidade das áreas de mercados era sempre mais de equipas de Londres, e minha aqui em Portugal. Portanto, provavelmente terei sido sempre mais eu a fazer a apresentação».

As declarações são do mesmo gestor que, no passado dia 2, disse à Renascença que não se lembrava se tinha ou não estado presente na reunião onde o Citigroup tentou vender esses produtos ao Governo de Sócrates. Numa resposta escrita à Renascença, Paulo Gray dizia, há uma semana, que participou em muitos contactos com clientes durante a sua atividade no Citigroup e que as propostas eram elaboradas em Londres por equipas especializadas, que depois as apresentavam acompanhadas de elementos da área de mercados do Citi Portugal.

Paulo Gray assegurou que estas propostas cumpriam estritamente todas as obrigações contabilísticas e de report, quer ao Eurostat, quer às agências de rating.

Atualmente, Paulo Gray é um dos responsáveis da consultora StormHarbour, consultora financeira que o Governo contratou no ano passado para dar apoio especializado à gestão dos swaps de alto risco das empresas públicas portuguesas.

Também à RTP, a StormHarbour, com sede em Londres, nega qualquer incompatibilidade ou falta de transparência e acrescenta que, dos 80 contratos polémicos que foi chamada a analisar, só um era do Citigroup.

Outro nome incluído na polémica e que também terá participado na proposta, é um dos atuais administradores da Águas de Portugal (AdP), Gonçalo Martins Barata. Fonte da empresa pública citada pela RTP diz que o gestor nunca pertenceu à equipa do Citigroup que elaborou ou tentou vender swap, nunca esteve reunido nem trocou correspondência com qualquer elemento do gabinete de José Sócrates.