Henrique Granadeiro demitiu-se esta quinta-feira de todos os cargos na Portugal Telecom (PT), confirmou a TVI.

Trabalhadores: envolvidos no caso Rioforte devem sair da PT

Granadeiro é presidente do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da operadora portuguesa e vai manter-se em funções até à Assembleia Geral da PT, que vai ter lugar no dia 08 de setembro.

Henrique Granadeiro explica, numa carta enviada ao conselho de administração da PT, a que o «Jornal de Negócios» teve acesso, que não se demitiu antes porque considerava ser seu dever «salvar o projeto de fusão e garantir as condições de igualdade na condução da futura empresa resultante da integração».



O gestor explica ainda que, «com a aprovação pelo conselho de administração dos documentos a submeter à deliberação dos acionistas que asseguram esses objetivos, considero cumprido esse dever e por isso renunciei sem condições aos cargos que exercia na Portugal Telecom».



Nesta carta, Henrique Granadeiro garante ainda ter sido «surpreendido» com a situação de incumprimento «generalizado» do Banco Espírito Santo para com a PT.

Em causa está o escândalo relacionado com o caso BES e com um financiamento feito pela operadora portuguesa. A sofreu fortes quedas em bolsa depois do investimento da empresa em papel comercial da RioForte, feito em abril.

Nos dias 15 e 17 de julho, venceu o prazo de pagamento do papel comercial da RioForte, mas o reembolso não foi feito. As ações desvalorizaram em bolsa de forma imediata.

Esta renúncia acontece um dia depois do ministro da Economia, Pires de Lima, ter considerado «inexplicáveis» os acontecimentos no BES e na PT.

Já esta tarde, em comunicado enviado à CMVM, a administração da PT esclareceu que as aplicações no papel comercial da Rio Forte, do Grupo Espírito Santo (GES), não foram aprovadas nem discutidas pelo conselho de administração e comissão executiva da operadora.

O percurso de Granadeiro

O gestor iniciou funções na operadora como administrador em 2003 e em 2006 passou a presidente do conselho de administração e presidente do conselho geral da Fundação Portugal Telecom.

Entre abril de 2006 e março de 2008 acumulou as funções de presidente do conselho de administração com as de presidente executivo, numa altura em que a Sonaecom lançou uma OPA sobre a operadora de telecomunicações.

Mais tarde, depois do fim da OPA, Granadeiro fica como presidente do conselho de administração da PT.

No ano passado, o gestor voltou a acumular os dois cargos até hoje.

Antes da entrada na PT, Granadeiro foi presidente executivo da Lusomundo Media, entre 2002 e 2004, tendo sido embaixador na OCDE entre 1979 e 1981 e chefe da Casa Civil da presidência da República, entre 1976 e 1979.

É licenciado em Organização e Administração de Empresas pelo Instituto Universitário de Évora.

As ações da PT fecharam esta quinta-feira a perder 5,05% para 1,37 euros.