A oitava avaliação do programa de ajustamento, que devia arrancar na segunda-feira que vem, poderá ser adiada, a pedido do Governo.

A Comissão Europeia diz que ainda não há qualquer decisão sobre o possível adiamento da oitava missão de avaliação ao programa de ajustamento português, estando em curso discussões com os parceiros da troika e as autoridades portuguesas.

«No que respeita aos planos para a próxima missão, estão em curso discussões com os nossos parceiros da troika e com as autoridades portuguesas, e estaremos em condições de vos comunicar esses planos uma vez que os mesmos estejam finalizados», declarou, em Bruxelas, o porta-voz dos Assuntos Económicos da Comissão Europeia.

Questionado, durante a conferência de imprensa diária do executivo comunitário, sobre se a data prevista para o início da oitava revisão ainda está em aberto ou definitivamente descartada, e instado a confirmar as notícias segundo as quais o Governo solicitou o adiamento da missão, Simon O'Connor limitou-se a afirmar que, por agora, não pode «dizer mais do que disse».

«As discussões prosseguem. Comunicaremos em breve a decisão, assim que esta estiver tomada», após as discussões com os restantes parceiros da troika e o Governo português, reiterou.

Também o Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmou que está em discussões com as autoridades portuguesas sobre a data do início da próxima revisão.

«Sobre o timing exato da próxima visita do FMI, ainda estamos em discussões com as autoridades», afirmou o porta-voz da instituição Gerry Rice, na conferência de imprensa quinzenal.

O FMI recusou fazer comentários à situação política em Portugal, após a decisão do Presidente da República anunciada na quarta-feira, mas defendeu que a Portugal tem que continuar a implementar o programa.

«Portugal tem feito progressos significativos sob o programa conjunto do FMI/BCE/CE, com grande determinação e sacrifício do povo português. É importante que continue a ser implementado de forma consistente para que a retoma surja», afirmou ainda.

De acordo com o «Diário Económico», o Executivo de Pedro Passos Coelho quer protelar para setembro a oitava avaliação que, dessa forma, decorreria em simultâneo com o nono exame regular, mas a troika ainda não se pronunciou sobre essa opção.

Outra alternativa é começar a oitava avaliação a 22 de julho.

Muito atrasado está o dossier da reforma do Estado, que já não será apresentado na próxima semana, nem na Assembleia da República, nem à troika. Aliás, o documento nem sequer deverá ser apreciado hoje em Conselho de Ministros.

Para que seja possível a entrada em vigor logo no início do próximo ano, o Governo pondera agora a hipótese de apresentar primeiro no Parlamento os diplomas que contêm medidas de maior peso orçamental.