O primeiro-ministro disse esta quinta-feira que «o Governo irá ponderar na altura própria, com os parceiros europeus» a forma como vai regressar ao mercado, e que «é cedo para fazer qualquer antecipação».

Instado pelos jornalistas a comentar as declarações do Presidente da República de que a opção por um programa cautelar é «uma rede de segurança» no regresso aos mercados, Passos Coelho furtou-se a revelar se está de acordo.

"A única coisa que posso dizer é recordar que, desde o início desta caminhada, fizemos sempre questão de dizer que era muito importante que Portugal cumprisse as metas do programa de assistência económica e financeira, para poder beneficiar dos mecanismos de apoio e de seguro que existem, seja ao nível do Banco Central Europeu, seja ao nível do Eurogrupo e do Ecofin, de modo a poder fazer uma transição para mercado devidamente apoiada», respondeu.

Perante a insistência dos jornalistas, o primeiro-ministro disse que a possibilidade de um programa cautelar «é uma matéria que o Governo irá ponderar na altura própria, juntamente com os seus parceiros» europeus.

«É cedo para estar a fazer qualquer antecipação e o que posso dizer é que o caminho que temos vindo a trilhar é um caminho que nos permite concluir o nosso programa de assistência económica e financeira que é aquilo que os portugueses mais esperam. Depois de todos estes tempos difíceis que passámos, os portugueses esperam chegar à conclusão de que valeu a pena passar pelos sacrifícios que foram realizados porque conseguimos encerrar esse programa», concluiu.

Passos Coelho recusou entrar em comparações com as opções tomadas pela Irlanda (sem programa cautelar), salientando as diferenças entre os dois processos de ajustamento: «A situação irlandesa não é a portuguesa. A Irlanda não precisou de pedir ajuda externa pelos mesmos motivos que Portugal e o processo que se desenvolveu na Irlanda, apesar de difícil e de ajustamento importante, teve características diferentes do processo português».

O primeiro-ministro sublinhou ainda que a Irlanda «começou sensivelmente meio ano mais cedo, pelo que não há nenhuma razão para Portugal não seguir também um bom exemplo que permita encerrar o programa e regressar a uma situação de normalidade de financiamento» em mercado.

«A Irlanda teve um exemplo de cumprimento do seu programa que não devemos deixar de reclamar para nós também», frisou.