A zona euro «está a passar da recessão para a recuperação», esperando-se um crescimento de 1% este ano e 1,4% em 2015, depois do recuar 0,4% em 2013, mas «a retoma vai ser desigual», segundo do FMI.

Na atualização ao 'World Economic Outlook' de outubro, hoje divulgada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) antecipa que a recuperação económica vai ser «no geral mais modesta nas economias em stress, apesar de algumas revisões [das projeções] em alta, incluindo Espanha».

«A elevada dívida, tanto pública como privada, e a fragmentação financeira vão retrair alguma procura interna, ao passo que as exportações poderão contribuir mais para o crescimento», refere o FMI.

A instituição liderada por Christine Lagarde aponta ainda que os riscos negativos identificados na edição do 'World Economic Outlook' de outubro se mantêm e que há novos desafios.

Referindo-se aos novos desafios, o FMI refere que «os riscos à atividade associados a uma inflação muito baixa nas economias avançadas, especialmente na zona euro, estão a surgir».

«Tendo em conta a probabilidade de a inflação continuar abaixo do objetivo [em torno dos 2%] por algum tempo, as expectativas da inflação de longo prazo podem cair», escreve o FMI, considerando que isso aumenta o risco de ter uma inflação mais baixa do que o esperado, o que, por sua vez, «aumenta o peso da dívida».

O FMI afirma que é preciso um crescimento económico mais forte para recuperar da crise e que, no caso da zona euro, «o Banco Central Europeu vai precisar de considerar medidas adicionais (...) como a provisão de liquidez de mais longo prazo, o que iria reforçar a procura e reduzir a fragmentação financeira».

«Restaurar os balanços dos bancos através da avaliação das folhas de balanço, recapitalizar os bancos fracos e completar a união bancária (...) vai ser essencial para a confiança aumentar, para o crédito melhorar e para limitar a ligação entre o Estado e os bancos», defende o Fundo, acrescentando que «vão ser precisas mais reformas estruturais para aumentar o investimento e as perspetivas».

Quanto à economia mundial, o FMI espera agora que o crescimento seja ligeiramente superior ao estimado anteriormente, de 3,7% em 2014 e de 3,9% em 2015, respetivamente.

Os Estados Unidos deverão crescer 2,8% este ano e 3% em 2015, depois de a economia norte-americana ter aumentado 1,9% em 2013, ao passo que as previsões para o Japão antecipam que o crescimento vai «abrandar mais gradualmente» do que o antecipado, para os 1,7% em 2014 e 1% em 2015.

Relativamente às economias emergentes e às economias em desenvolvimento, o Fundo projeta um crescimento de 5,1% este ano, que deverá atingir os 5,4% em 2015, alertando, no entanto, que em muitos destes mercados a procura interna continua mais fraca do que o esperado, em reflexo de condições financeiras apertadas e de incertezas políticas.

O FMI entende que algumas economias emergentes devem considerar «uma combinação de políticas macroeconómicas mais rígidas com esforços de regulação e de supervisão mais fortes».