A Fitch estimou esta segunda-feira que um aumento de 3% no consumo alemão ia beneficiar os países periféricos, calculando que o impacto na economia portuguesa seria positivo em 0,3 pontos percentuais em 2014 e em 0,4 pontos em 2015.

Num relatório divulgado esta segunda-feira, nota a Lusa, a Fitch apresenta «um cenário hipotético» em que avalia o impacto que o crescimento de 3% no consumo privado da Alemanha a partir do terceiro trimestre deste ano e até ao final de 2015 teria tanto na economia alemã como nos países da zona euro.

No caso de Portugal, este cenário hipotético não teria qualquer efeito na balança corrente até 2015, mas teria um impacto positivo nos níveis do Produto Interno Bruto (PIB), estimando a Fitch um contributo positivo de 0,1 pontos este ano, de 0,3 pontos em 2014 e de 0,4 pontos em 2015.

Os efeitos de um aumento do consumo alemão de 3% até 2015 fariam com que a economia da Alemanha crescesse mais 0,5 pontos percentuais tanto em 2013 como em 2014, o que se traduziria numa taxa de crescimento do PIB de 1,1% este ano e de 2,1% no seguinte.

Entre os países da zona euro, os efeitos do «choque alemão» seriam diferentes, sendo as pequenas economias abertas com fortes ligações comerciais com a Alemanha, tipicamente os países vizinhos mais pequenos, as que mais beneficiariam.

Em 2014, o nível de crescimento seria mais elevado em 0,5 pontos percentuais na Holanda e na Eslováquia, ao passo que na Irlanda, na Áustria e na Bélgica o impacto seria de 0,3 pontos percentuais em relação ao esperado.

O impacto nas economias maiores da zona euro, como a França, a Itália e Espanha, seria menor, representando um acréscimo de 0,1 pontos do PIB em 2013 nos três casos, ao passo que, para 2014, o impacto seria de 0,2 pontos no caso francês e de 0,3 pontos tanto na economia italiana como na espanhola.

Quanto ao efeito que este cenário teria nas balanças correntes, a Fitch estima que «a posição da balança corrente iria melhorar em praticamente todos os membros da zona euro, exceto na Alemanha», cuja balança comercial iria piorar em 0,1% em 2013 e em 0,2% nos dois anos seguintes.

No dia 13 de novembro, a Comissão Europeia incluiu a Alemanha no grupo de 16 países europeus cuja situação merece «uma análise aprofundada», no âmbito do «mecanismo de alerta de desequilíbrios macroeconómicos».

No relatório, a Comissão Europeia apontou a Alemanha pela primeira vez, considerando que é necessário um melhor escrutínio da posição externa do país e dos seus desenvolvimentos internos para aferir se sofre de desequilíbrios macroeconómicos.