O presidente do Eurogrupo defendeu esta segunda-feira que Portugal «tomou a decisão certa ao optar» por uma saída sem programa cautelar, mas advertiu que continuam a existir obrigações e que «não se pode gastar dinheiro que não se tem».

«Acho que as circunstâncias de mercado são bastante boas e que Portugal tem feito um bom trabalho no reajustamento e na alteração da sua economia em termos orçamentais as perspetivas melhoraram bastante nos últimos dois anos, percebo o otimismo [do Governo português] e apoio-o», afirmou Jeroen Dijsselbloem.

O presidente do Eurogrupo falava aos jornalistas à entrada para a reunião dos ministros das Finanças da zona euro, que decorre em Bruxelas.

«Penso que se Portugal continuar a cumprir as suas obrigações, que passam por uma maior modernização da economia e mais reformas, tudo vai correr bem», acrescentou.

O holandês referiu ainda que «o compromisso político» é um risco para todos os países e para a União Europeia e que «é difícil modernizar e promover alterações nas economias" sem que ele exista: "O trabalho de um governo implica decisões sempre difíceis, em Portugal, como noutros países, mas para Portugal é crucial, [Portugal] tem de manter a confiança dos mercados e essa confiança requere mais passos e empenho do Governo».

Sobre um eventual abrandamento nas medidas de austeridade, o presidente do grupo de países que partilham a moeda única, sublinhou que manter uma política orçamental rigorosa é algo que deve ser permanente.

«Diria que os tempos da austeridade muito rígida já passaram, mas isso não significa que se possa começar a gastar dinheiro que não se tem, ter uma política orçamental rigorosa é uma responsabilidade de todos os países», declarou.

O Governo português vai comunicar esta segunda-feira, em Bruxelas, aos seus parceiros da zona euro a decisão de sair do programa de resgate financeiros sem recurso a qualquer programa cautelar.

No encontro de ministros das Finanças da zona euro, o derradeiro até à saída do programa de assistência financeira, a 17 de maio, Maria Luís Albuquerque irá transmitir formalmente ao Eurogrupo a decisão comunicada no domingo à noite ao país pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que anunciou a chamada «saída limpa» do programa, como noticia a Lusa.