O mecanismo de resolução de bancos foi hoje aprovado por uma maioria esmagadora no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, mas a eurodeputada Elisa Ferreira deixou alertas sobre a necessidade de continuar um percurso de regulação do sistema financeiro.

O novo mecanismo europeu de resgate de instituições bancárias, que prevê a criação de um fundo próprio de 55 mil milhões de euros nos próximos oito anos, foi aprovado na sessão plenária de Estrasburgo com 570 votos a favor, 88 contra e 13 abstenções.

Segundo dados do Parlamento, desde 2008, os resgates de bancos envolveram mais de 26% do Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia, o equivalente a seis orçamentos comunitários.

«Estamos muito satisfeitos com o resultado», afirmou a eurodeputada socialista Elisa Ferreira aos jornalistas portugueses, assinalando, no entanto, que «ainda há peças para completar», como o fundo europeu de garantia de depósitos e a criação de um fundo de crédito imediato para estar operacional em 2016 e apoiar, se necessário, o novo mecanismo, que entra em vigor nessa altura e cuja mutualização será gradual.

A eurodeputada portuguesa, que foi relatora do Parlamento Europeu para o mecanismo de resolução, disse existir um compromisso político com o Conselho para que tal aconteça (uma das alternativas passa pela utilização dos 60 mil milhões de euros do Mecanismo Europeu de Estabilidade para recapitalizar bancos), mas advertiu também para a falta de equilíbrio no peso dos Estados-membros quando chega a hora de tomar decisões.

«Sente-se que os alemães acham que já se terminou tudo, já há um mecanismo de supervisão único, um mecanismo de resolução único, mas não estamos acabados, falta um pilar que a próxima Comissão e Conselho têm de reativar, que é que os depósitos sejam garantidos a nível europeu», sublinhou.

«O Conselho está neste momento uma instituição muito diferente daquela que conhecemos no passado, porque a dominação da Alemanha e dos países mais próximos dela parece abafar completamente as vontades diferentes dos outros países e neste caso foi o Parlamento Europeu que conseguiu impor uma barreira, mas foi duro, foi pesado», acrescentou.

Apesar de considerar que a legislação hoje aprovada é um grande passo europeu e que permitirá resolver crises bancárias sem «influências políticas e pressões de países mais fortes», Elisa Ferreira defendeu que o reforço da regulação do sistema financeiro europeu e mundial tem de continuar.

«Os paraísos fiscais minam os esforços de regulação que estamos a fazer, isso não ajuda absolutamente nada (...) isto é um passo europeu, é importante que isto suba para o G8 e para o G20, e sobretudo numa articulação com os Estados Unidos sejamos capazes de criar níveis decentes de funcionamento dos mercados financeiros e não buracos negros», sustentou.