O secretário-geral da CGTP-IN acusou este sábado o Presidente da República de fazer parte de um trio, com o primeiro-ministro e o vice-primeiro-ministro, que «está a condenar o nosso país a um protetorado por 'ad aeternum', de colonização forçada por muitos anos».

«Não se compreende porque é que o Governo continua a governar e o Presidente da República continua a dar o seu 'agrément' à manutenção deste Governo, quando sabe que só vai acentuar as políticas de desastre económico do país. O presidente, neste momento, afirma-se como parte integrante do trio que é composto pelo primeiro-ministro, o vice-primeiro-ministro e tem a confirmação do Presidente da República», criticou Arménio Carlos.

O secretário-geral da CGTP-IN falava aos jornalistas no final da sua intervenção na praça Camões, em Lisboa, onde esta tarde terminou a Estafeta pela Igualdade, iniciativa agendada para assinalar o Dia Internacional da Mulher.

O Presidente da República considera «uma ilusão» pensar que as exigências de rigor orçamental vão desaparecer após a conclusão do programa de ajustamento e avisa que, pelo menos até 2035, Portugal continuará sujeito a supervisão.

Arménio Carlos apelou hoje à luta dos trabalhadores, pedindo-lhes que manifestem a sua «oposição e veemente indignação» às políticas que pretendem «condenar» os portugueses a ficar «prisioneiros dentro país, por muitos e muitos anos».

«Nós não aceitamos isso», declarou o líder sindical.

Sobre o modelo que Portugal pode vir a adotar após o fim do programa externo de ajuda financeira, Arménio Carlos não tem preferências.

«Venha o diabo e escolha. Regresso aos mercados, programa cautelar ou a tal vigilância reforçada, todos eles estão umbilicalmente ligados por uma linha, que é a continuação da austeridade que o próprio Presidente da República já assumiu relativamente às próximas duas dezenas de anos. Enquanto houver um tratado orçamental que faz da redução do défice a prioridade, isto quer dizer que o que vem aí com este Governo e com esta política para 2015 é austeridade acrescida», declarou o líder da CGTP.

Arménio Carlos deixou ainda críticas à constituição de uma comissão para a reforma do IRS, dizendo que é «para enganar o pagode».

«Para baixar o IRC foi num instantinho. Para baixar o IRS, que é um instrumento de pressão sobre os rendimentos das famílias, trabalhadores e pensionistas, isso é para o tempo das calendas», acusou.

Depois de Cavaco Silva não ter pedido a fiscalização da norma do Orçamento do Estado para 2014 referente à nova versão da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), Arménio Carlos disse hoje que vai pedir reuniões urgentes aos partidos da oposição para lhes pedir que solicitem a fiscalização sucessiva da constitucionalidade desta norma.

A propósito do Dia Internacional da Mulher, e questionado sobre quando poderia a CGTP-IN ter uma mulher na liderança, Arménio Carlos afirmou que isso acontecerá quando a central sindical assim o decidir.

«O que interessa são as ideias. Já vimos mulheres à frente de países e ai que desgraça que elas provocaram. Olhe a senhora Thatcher, olhe a senhora Merkel o que nos está a fazer, à Europa e particularmente a Portugal», declarou.