Mais de 35 mil famílias espanholas perderam a sua casa, em 80% dos casos a residência habitual, por decisão judicial ou acordos com bancos credores na primeira metade de 2013, segundo dados do Banco de Espanha.

Os dados confirmam que, a manter-se a tendência na segunda metade de 2013, os dados superariam significativamente os registados em 2012 quando, durante todo o ano, foram entregues 44.745 casas.

Entre as casas que eram residência habitual (80% ou 28.170 imóveis) a maioria (mais de 15.400) foram entregues ao banco por ordem judicial, tendo 12.700 sido entregues voluntariamente e, destas, 8.800 em dações em pagamento.

Das 6.900 casas entregues ao banco que não eram domicílio habitual, 3.840 estavam vazias.

Em mais de 83 por cento dos casos de entrega das casas, os processos referiam-se a hipotecas concedidas antes de 2008, ano considerado do arranque da crise em Espanha.

Na sua análise publicada hoje, o Banco de Espanha refere que apesar do nível dramático de despejos, comparativamente ao universo total de casas com hipoteca em Espanha (6,56 milhões), estes processos representaram apenas 0,53% do total.

Os dados do Banco de Espanha explicam que foi necessária a intervenção das forças de segurança em 88 casos de entrega de casas, dos quais 59 domicílios habituais.

Uma queda significativa face ao ano anterior, quando, nos 12 meses, as forças de segurança intervieram 346 vezes, ou quase uma vez por dia.

O Banco de Espanha publica desde o ano passado dados sobre despejos e entrega de casas por não-pagamento de hipoteca, analisando assim um dos problemas mais polémicos da crise económica em Espanha, como recorda a Lusa.