O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse esta quinta-feira em entrevista à TVI e à TSF, que estranhou as mais recentes declarações da diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, sobre o facto de ter admitido «erros» na avaliação de políticas aplicadas em países como Portugal e Irlanda.

«Realmente é um bocadinho estranho. Não é só o português em média (que considera estranho), nós no Governo também estranhamos», declarou Passos Coelho, adiantando que, «isto significa que a estrutura de topo do FMI não é coerente com aquilo que o seu nível técnico dispõe quando faz negociações ao nível da troika».

Passos Coelho voltou a defender que «houve um erro» no programa de resgate a Portugal, «que não tem a ver com a maneira como esse programa estava concebido, mas com as metas que estavam fixadas em termos quantitativos».

Segundo Passos Coelho, a explicação para «esse erro» é que

«Não havia na altura a perspetiva de que, quer o défice de 2010, quer a previsão de défice para 2011, se afastassem tanto daquilo que na altura eram as previsões que tinham sido feitas quer pelo Governo (do PS) quer por essas entidades».

No entender do primeiro-ministro, «esse erro deveria ter sido corrigido posteriormente de forma mais pronunciada, foi um pouco corrigido, mas não suficientemente corrigido».

Passos Coelho referiu que «o próprio PEC IV apontava mesmo uma meta de défice para 2011 de 4,5 por cento, totalmente irrealista».

«O FMI, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia aperceberam-se posteriormente desse irrealismo de partida e em 2012 aceitaram fazer um reajustamento dessas metas. Julgo que nesse reajustamento poderia ter havido um pouco mais de realismo, quer para 2012, quer para 2013. É pena que o FMI não tivesse nessa altura essa perspetiva que é hoje afirmada pela sua diretora geral», concluiu Passos Coelho.