A venda da Caixa Seguros à chinesa Fosun International tem um «impacto significativo» sobre o mercado português, que passa a ser dominado por companhias estrangeiras, afirmou esta quarta-feira o presidente da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), Pedro Seixas Vale.

«As empresas estrangeiras passam a ter mais importância do que o conjunto das empresas nacionais», salientou o responsável num encontro com jornalistas, em Lisboa, destinado a fazer um balanço da atividade seguradora em Portugal no ano passado.

«Quando há uma mudança muito significativa numa instituição que é líder de mercado, há sempre impacto no conjunto dos operadores», reforçou Seixas Vale.

O Governo português tomou no início de janeiro a decisão de selecionar a proposta da Fosun para adquirir ao Estado 80% do capital das seguradoras do Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD) por uma verba de mil milhões de euros.

A Caixa Seguros inclui as seguradoras Fidelidade, Multicare e Cares, e é líder de mercado destacada em Portugal, com uma quota na ordem dos 30%.

«É uma operação com um impacto significativo no mercado da oferta seguradora», assinalou o presidente da entidade que representa as seguradoras que operam em Portugal.

Questionado sobre os contactos que já decorreram entre a APS e a Fosun, Seixas Vale revelou que «as duas entidades [a chinesa Fosun e a norte-americana Apollo Management International] que concorreram à Caixa Seguros tiveram a gentileza de contactar a APS», frisando que tal não é «obrigatório».

Estes contactos ocorreram «antes de se saber o desfecho» da operação de privatização, especificou, assegurando que, desde que foi conhecida a decisão governamental de optar pela proposta chinesa, ainda não houve novos contactos com os vencedores do concurso.

Sem se querer alongar em comentários sobre uma companhia específica, Seixas Vale considerou que "é natural que continua a haver alguma consolidação no setor" segurador.

«É perfeitamente normal e extraordinariamente positivo», concluiu.