A conceituada revista «The Economist» escreve esta sexta-feira que Portugal falhou na sua tentativa de se afastar da Grécia, considerando mesmo que a situação nacional é apenas ligeiramente melhor que a grega.

Atribuindo a crise política aos «custos de dois anos de austeridade incessante» e referindo-se às atuais negociações entre PSD, CDS e PS, a «The Economist» escreve que «o abismo entre os partidos de centro-direita, no poder, e os socialistas é tão largo que as chances de cumprirem o prazo auto-imposto de 21 de julho para chegarem a um acordo são pequenas».

Para a publicação, o objetivo de Cavaco Silva, ao chamar os três partidos às negociações era dar ais investidores e aos credores de Portugal algumas garantias de que os principais partidos, que contam com cerca de 80% dos votos, continuam comprometidos com o programa de resgate acordado com a troika e que os futuros governos se manterão fiéis à disciplina orçamental. «Mas o perigo é que, depois de prolongar a crise política em Lisboa por mais algumas semanas, isso possa não levar a lado nenhum, deixando o país exatamente como estava: governado por uma coligação instável e em risco de enfrentar uma eleição antecipada com resultados imprevisíveis».

Citando as mais recentes previsões do Banco de Portugal para a economia portuguesa (crescimento de 0,3% em 2014), a «The Economist» diz que as mesmas sugerem que a economia vai recuperar apenas ligeiramente no ano que vem, após três anos de recessão profunda.

«A culpa cabe sobretudo aos cortes maiores do que o esperado no consumo público, que foram necessários para manter o programa de resgate no bom caminho», explica a revista, acrescentando que «esta previsão não deverá fortalecer a confiança em Portugal, Grécia ou no resto da Zona Euro, de que a austeridade está a funcionar. Nem vai apoiar as esperanças de Bruxelas de que Portugal está a afastar-se da Grécia e seguirá a Irlanda, saindo do programa de resgate. Neste momento, nenhum dos países parece estar nem perto disso», conclui.