A Região Demarcada do Douro (RDD) poderá produzir nesta vindima entre 221 mil e 235 mil pipas de vinho, prevendo-se uma ligeira quebra neste «ano atípico» em que o frio e o calor se intercalaram.

Os dados foram divulgados hoje, no Peso da Régua, pela Associação de Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID).

A diretora geral da instituição, Rosa Amador, afirmou que esta expectativa de colheita aponta para uma produção mais baixa do que a de 2013 (entre as 233 mil e as 253 mil pipas).

A responsável advertiu, no entanto, que o resultado final da próxima vindima vai depender das condições climáticas e fitossanitárias que se registarem até setembro.

As previsões da ADVID são efetuadas com base no modelo pólen, recolhido na fase de floração da videira, entre abril e junho, nas três sub-regiões do Douro: Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior.

Já depois da floração da videira ocorreram alguns problemas de bagoinho e desavinho, que, segundo Rosa Amador, poderão levar a «produções ligeiramente mais baixas do que as previstas agora».

Rui Soares, da Real Companhia Velha, disse à agência Lusa que este tem sido «um ano um pouco atípico».

«As condições durante a floração foram muito invulgares. Tivemos temperaturas baixas, tivemos bom tempo, tivemos um pouco de tudo e isso refletiu-se na quantidade de uvas. Neste momento há uma diminuição. Temos menos uvas em relação a 2013», salientou.

O ano até estava a ser calmo em termos de doenças, mas o frio e a chuva de junho originaram condições para o desenvolvimento de doenças como o oídio e o míldio.

«Estamos neste momento numa fase crítica de tratamentos, é preciso trabalhar muito na vinha», sublinhou.

Também o Grupo Sogevinus perspetiva «uma quebra ligeira» na produção, principalmente na zona do Baixo Corgo, onde se está a verificar uma «forte pressão das doenças».

«Está a ser um ano relativamente difícil a nível do tratamento de doenças e na gestão do coberto vegetal. A chuva veio influenciar negativamente», afirmou Márcio Nóbrega, técnico de viticultura da Sogevinus.

Na sua opinião, a elevada precipitação poderá atrasar um pouco a fase do pintor, que corresponde à mudança de cor da uva.

O Douro está também preocupado com as alterações climáticas, que poderão originar, segundo o técnico da ADVID Igor Gonçalves, aumentos de temperatura e redução na precipitação, bem como períodos mais longos desses índices.

Estas condições acumuladas têm implicações ao nível do desenvolvimento da videira, pelo que a associação e parceiros estão a definir estratégias que passam, por exemplo, pela rega deficitária nas zonas mais quentes e secas, ou seja, fornecer o mínimo de água para que a planta sobreviva.

No âmbito do projeto «ClimeVineSafe» está a ser investigada também aplicação de caulino, uma espécie de protetor solar que se coloca nas videiras, permitindo, segundo Igor Gonçalves, que não absorvam tanto a radiação e protegendo-as a nível fisiológico.

No final do ano deverão ser apresentados resultados deste projeto, que envolve ainda as universidades de Vila Real e Aveiro, como noticia a Lusa.