A dívida pública portuguesa aumentou 35 pontos percentuais no período do programa de resgate, um aumento explicado pela acumulação de défices orçamentais e aos ajustamentos défice-dívida, incluindo a acumulação de depósitos, estima o Conselho de Finanças Públicas (CFP).

Na análise do CFP à conta das administrações públicas de 2013, a dívida pública portuguesa aumentou 35 pontos percentuais entre 2011 e 2013, atingindo os 129,0% do Produto Interno Bruto (PIB), "um valor acima do previsto em todos os documentos de programação orçamental".

Para este "significativo aumento" do rácio da dívida contribuiu em 15,7 pontos percentuais a acumulação de défices orçamentais nesse período, sendo que 3,1 pontos se deveram a défices primários acumulados e 12,6 pontos a encargos com juros.

O segundo fator que mais contribuiu para o crescimento da dívida em 2013 foi o de ajustamentos défice-dívida acumulados entre 2011 e 2013, nomeadamente a acumulação de depósitos da administração central (7,7 pontos percentuais), incluindo os do empréstimo internacional destinados à banca e que ainda não foram usados e os adiantamentos da Parpública ao Estado no âmbito das privatizações.

Também os apoios de recapitalização da banca líquidos de amortizações que foram concedidos à Caixa Geral de Depósitos (CGD), ao Banco Comercial Portugal (BCP), ao Banco Português de Investimento (BPI) e ao Banco do Funchal (Banif) contribuíram com 3,1 pontos para o aumento da dívida.

A regularização de pagamentos em atraso e de dívidas de anos anteriores do setor da saúde e da administração regional e local e a regularização de responsabilidades à Parpública justificaram em 3,3 pontos este aumento.

Finalmente, também a conjuntura desfavorável penalizou o rácio da dívida: o efeito crescimento implicou um aumento de 4,5 pontos percentuais da dívida pública entre 2011 e 2013, de acordo com o Conselho de Finanças Públicas.