O Deutsche Bank está a recomendar aos seus clientes que comprem dívida pública portuguesa. O banco alemão acredita que o país concluirá com sucesso a oitava e nova avaliações da troika ao programa de ajustamento, que estão em curso, e também que, mais cedo ou mais tarde, será flexibilizada a meta de défice para 2014 de 4 para 4,5%.

Além disso, o banco não acredita que a troika venha a impor aos investidores privados perdas com uma potencial reestruturação da dívida. Numa nota enviada aos clientes e citada pela Bloomberg, o economista do banco, Abhishek Singhania, diz que isso colocaria em causa a sustentabilidade de outros programas de ajustamento, algo que a troika não arriscaria.

Com a esperada aprovação da troika à oitava e nona avaliações, o Deustche Bank estima que a dívida pública portuguesa tem potencial para se valorizar e destaca a linha de obrigações com maturidade em 2015, que apresenta uma taxa de juro de cerca de 5%.

Mas o Deutsche não é o único. Segundo a Bloomberg, também a BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, está a apostar forte na dívida soberana nacional.

«Somos grandes fãs das obrigações dos mercados periféricos», afirmou na semana passada o responsável pela área de ativos de renda fixa da BlackRock, numa conferência de imprensa em Londres, sublinhando que «o BCE vai manter uma política monetária expansionista».

Ainda ontem a empresa confirmou a sua «apetência» por várias dívidas soberanas da periferia europeia, entre elas Portugal. Uma confirmação feita depois de o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mário Draghi, ter afirmado que o banco está disposto a usar todos os instrumentos ao seu alcance para ajudar a Zona Euro a ultrapassar a crise, incluindo uma nova injeção de liquidez de longo prazo na banca.

A casa de investimento mostrou-se confiante na estratégia do BCE, de apoio aos Estados-membros, que levará a uma descida das taxas de juro da dívida e aumentou o peso da dívida portuguesa para valores superiores aos representados no benchmark, ao mesmo tempo que mantém uma posição neutral para a dívida espanhola e italiana.