Os portugueses são dos europeus mais preocupados e pessimistas relativamente à evolução do desemprego, com três quartos a estimarem que o pior ainda está para vir, revela um estudo divulgado esta terça-feira em Bruxelas pela Comissão Europeia.

De acordo com o «Eurobarómetro da primavera», 72% dos portugueses inquiridos apontam o desemprego como o principal problema que o país enfrenta - valor apenas superado por Espanha (79%) e ao nível de Chipre.

Já questionados sobre se acham que o impacto da crise económica no mercado de trabalho já atingiu o seu pico e tenderá e melhorar, como defendem alguns analistas, três quartos (75%) discordam, considerando que «o pior ainda está para vir», o segundo valor mais elevado entre os 28 Estados-membros, apenas atrás de Chipre (83%).

O pessimismo dos portugueses alarga-se à sua visão sobre o futuro da União Europeia, com uma maioria, de 67%, a afirmarem-se pessimistas, o terceiro valor mais alto ¿ apenas atrás de Grécia e Chipre, ambos com 69%, e muito acima da média europeia (46% de pessimistas, contra 49% de otimistas).

Sobre a atual situação económica nos respetivos países, os cidadãos portugueses também são dos mais dececionados, com 96% a considerarem-na «má» ¿ valor apenas superado por Espanha (99%), Grécia e Chipre (98%), e bem acima da média da UE, de 72% -, e somente 4% a classificarem-na como «boa».

Por fim, os portugueses são também dos que mais acham que a sua voz pouco conta na União Europeia: 81% acham que não conta (valor, mais uma vez, apenas superado em Chipre e Grécia, ambos com 89%), e somente 16% acreditam que sim (contra 28% da média comunitária).

Nos extremos opostos das listas, suecos e alemães são os mais satisfeitos com a situação económica a nível nacional (80% e 77%, respetivamente), enquanto os dinamarqueses são os mais otimistas quer relativamente à evolução do desemprego (60% consideram que o pior já passou), quer sobre o futuro da UE (72% declaram o seu otimismo), e ainda os que mais acreditam que a sua voz conta na União (56%).

O Eurobarómetro foi realizado em maio passado, tendo em Portugal sido inquiridas 1.004 pessoas.