A chanceler alemã, Angela Merkel, sublinhou hoje no debate parlamentar sobre os orçamentos de 2014 as melhorias alcançadas pelos países mais debilitados pela crise da zona euro, mas insistiu que o desemprego juvenil continua em níveis «inaceitavelmente» altos.

«Irlanda, Portugal, Espanha e Grécia alcançaram notáveis progressos», destacou a chanceler perante a câmara baixa do parlamento alemão, na sua intervenção no debate geral sobre os orçamentos do Estado.

Mas, apesar de todos os esforços, os níveis de desemprego juvenil continuam excessivamente altos, pelo que Merkel sublinhou a importância da próxima cimeira europeia, em Itália no início de julho, centrada nesse problema, e defendeu que os 6.000 milhões de euros dos fundos europeus devem chegar onde são necessários.

Sobre a Alemanha, a chanceler referiu a situação dos desempregados de longa duração, que apesar da robustez do mercado laboral nacional se perfila como um grande problema, «que continua por resolver».

Ainda assim, defendeu que os chamados desempregados crónicos fiquem transitoriamente fora do futuro salário mínimo interprofissional - cujo projeto de lei foi aprovado esta semana em Conselho de Ministros -, argumentando que esta decisão visa favorecer a sua reincorporação no mercado laboral.

Merkel manifestou ainda preocupação pela descida na oferta de postos de formação profissional, parte do chamado sistema dual para a incorporação no mundo laboral de jovens em estágio, e apelou à indústria que faça esforços adicionais para responder à procura desses lugares.

A chanceler fez estas declarações depois de destacar, no início do seu discurso, que a Alemanha espera este ano um crescimento económico de 1,8%, o que a situa entre os «ganhadores da globalização».

A evolução da economia é positiva e o seu crescimento está «acima da média da zona euro», sublinhou a chefe do Governo alemão, recordando que parte disto se deve ao aumento das exportações.

«Temos uma indústria competitiva à escala mundial», referiu a chanceler, defendendo contas que preveem défice zero estrutural para este ano e que em 2015 não haja novo endividamento.