O vice-presidente da Portugal Telecom Pacheco de Melo demitiu-se na sequência da aplicação de 900 milhões de euros da operadora no Grupo Espírito Santo, avança a edição do semanário «Sol» de sexta-feira.

De acordo com o jornal, o pedido de demissão aconteceu na passada quarta-feira, numa altura em que a figura principal da PT, Henrique Granadeiro, está sob fogo cruzado dos acionistas da Portugal Telecom e da Oi. Há uma ameaça de processo destes administradores a Granadeiro.

A informação desta demissão não foi confirmada ainda pela TVI24.

A Portugal Telecom subscreveu, através de duas subsidiárias, um total de 897 milhões de euros em papel comercial da Rioforte, empresa do Grupo Espírito Santo, que vencem em meados de julho.

A 26 de junho, o Expresso Diário noticiou que a PT detinha 900 milhões de euros de papel comercial da Rioforte e que a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) estaria a preparar-se para analisar o caso, para averiguar se existia favorecimento acionista, uma vez que o Grupo Espírito Santo (GES) detém 10,05% da operadora de telecomunicações.

Em comunicado enviado a 30 de junho à CMVM, assinado pelo presidente do Conselho de Administração e executivo, Henrique Granadeiro, e pelo administrador financeiro executivo, Luís Pacheco de Melo, a PT esclareceu que «subscreveu, através das então subsidiárias PT International Financee BV e PT Portugal SGPS, um total de 897 milhões de euros em papel comercial da Rioforte com uma remuneração média anual de 3,6%».

A empresa adiantou que «todas as aplicações de tesouraria em papel comercial da Rioforte atualmente em carteira têm vencimento em 15 e 17 de julho de 2012 (847 e 50 milhões de euros, respetivamente)».

A decisão de aquisição de papel comercial da Rioforte por Granadeiro e Pacheco de Melo levou à demissão de dois representantes da Oi na PT a 2 de julho.

Otávio Azevedo e Fernando Magalhães Portella, representantes da Oi, deixaram os cargos no conselho de administração da Portugal Telecom depois de ser conhecido o investimento de 897 milhões de euros em papel comercial de uma holding do Grupo Espírito Santo, a RioForte.

Azevedo disse na altura ao jornal brasileiro «Valor Económico» que se sentiu «desconfortável» por ter ficado a saber do investimento no GES pela comunicação social.