A maioria dos portugueses (72%) considera que o desemprego é o principal problema que o país enfrenta atualmente, refere um relatório «Think¿» da TNS. O valor é superior em 21 pontos percentuais em comparação com a média europeia, onde 51% partilham a mesma ideia. Esta opinião parece ser unânime na maioria dos países da Europa verificando-se valores muito semelhantes aos de Portugal: Espanha (79%), Croácia (76%), Chipre (72%), Polónia (69%), Irlanda (67%), França (66%), Grécia (65%) e Suécia (65%).

Segundo os últimos dados do Eurostat, mais de 26,8 milhões de Europeus estão desempregados neste momento, o que corresponde a 11% da população ativa. Em Portugal, de acordo com os dados do INE, apesar da diminuição da taxa de desemprego verificada ao longo deste ano (recuou de 17,7% no 1º trimestre para 15,6% no 3º), as previsões do governo são para que este valor aumente em 2014.

Segundo o comunicado, as estratégias utilizadas pelos cidadãos para encontrar um emprego centram-se ainda em atributos tradicionais, tais como a experiência profissional e as qualificações. Para mais de metade dos cidadãos Europeus estes são considerados os mais importantes (54% e 51%, respetivamente). A experiência profissional é apontada como o aspeto mais relevante em França (69%), Portugal (66%), Espanha (63%) e Lituânia (62%).

A capacidade de adaptação é um atributo mencionado por mais de um terço dos Europeus (35%), sendo mais relevante nos países do Ocidente e Norte da Europa (França, Reino Unido, Holanda; Suécia, Finlândia e Dinamarca) e menos relevante nos países situados a Sul e Leste da Europa (Espanha, Grécia e Malta; Bulgária e Polónia). Em Portugal este atributo é referido por 26% dos inquiridos. Numa era de revolução digital e globalização, seria de esperar que aptidões como conhecimentos de informática e linguísticos fossem aspetos mais referenciados mas apenas 19% e 17% dos Europeus mencionam estes atributos.

Salienta-se também que, apesar da tradicional imagem de rigidez do mercado de trabalho, começa agora a verificar-se uma alteração de mentalidades - oito em cada dez Europeus concordam que a capacidade de mudar facilmente de emprego é um atributo que ajuda as pessoas a encontrarem um trabalho hoje em dia (78% na EU, 85% em Portugal). A flexibilidade e a mobilidade no mercado de trabalho têm cada vez maior aceitação por parte dos Europeus desde que acompanhadas por formação regular que lhes permita manterem-se atualizados face às exigências do mercado, conclui o comunicado.