O setor das telecomunicações em Portugal sentiu os efeitos da crise económica, com quebras nas receitas e nos investimentos, mas o país continuou a fazer progressos relativamente às metas da Agenda Digital europeia, segundo um relatório da Comissão Europeia.

De acordo com o relatório sobre mercados de telecomunicações e regulamentação na UE hoje divulgado pelo executivo comunitário, e que abrange os anos de 2012 e 2013, «num contexto de crise económica em Portugal nos últimos anos, as receitas no setor das comunicações eletrónicas caíram de 9,95 mil milhões de euros em 2011 para 5,36 mil milhões em 2012», o que representa uma queda de 11%.

De acordo com o relatório, como resultado da quebra das receitas e atendendo ao contexto de recessão económica, também o investimento no setor experimentou uma queda em 2012, comparativamente ao ano anterior, de 14,4%, de 0,90 mil milhões de euros em 2011 para 0,77 mil milhões no ano seguinte.

«Portugal encontra-se assim entre os Estados-membros que experimentaram uma quebra no investimento», contrariando a tendência do conjunto da União Europeia, onde, apesar de as receitas terem caído 3,3%, de 334,7 mil milhões de euros em 2011 para 323,6 mil milhões em 2012, o investimento cresceu 1,4%, de 41,5 para 42,1 mil milhões de euros.

Ainda assim, observa o relatório, a percentagem dos investimentos em Portugal em função das receitas foi em 2012 de 14,4%, acima da média da UE, de 13%.

Por outro lado, sublinha o documento, «apesar da situação económica, Portugal continuou a fazer progressos no sentido de atingir as metas da Agenda Digital durante o ano de 2013».

O relatório, que neste caso apresenta dados de janeiro de 2014, mostra que a cobertura de banda larga fixa é quase de 100% (99,7, acima da média europeia de 97,1%, tendo o crescimento, de 6%, sido igualmente superior ao da média da UE, de 2%).

Também se verificaram subidas na penetração da banda larga fixa (em sete pontos, para os 24,6%) e móvel (de 32,7% para 37,2%), embora nestes dois casos os valores continuem abaixo da média europeia, respetivamente de 29,9% e 61,1%, numa síntese apresentada pela Lusa.