A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) deu razão aos funcionários públicos, considerando que todas as remunerações pagas este ano mas relativas a trabalho prestado em 2013 só podem ter os cortes previstos no Orçamento do Estado de 2013.

«Informa-se pois que quaisquer abonos relativos a trabalho prestado em 2013 - designadamente, trabalho extraordinário, trabalho noturno, incentivos, etc. - continuam sujeitos à redução remuneratória que resulta(va) da aplicação das regras fixadas no artigo 27.º da LOE 2013, aprovada pela Lei n.º 66 B/2012, de 31 de janeiro», diz a ACSS num esclarecimento pedido pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM) que a Lusa cita.

De acordo com o documento, divulgado pela FNAM, «as regras fixadas, agora, no artigo 33.º da LOE 2014, aplicam-se apenas à remuneração que respeite ao trabalho desenvolvido já em 2014».

A ACSS considerou que a questão colocada pela FNAM se trata de uma matéria transversal a toda a Administração Pública e «por forma a acautelar a necessária uniformidade de procedimentos, entendeu-se conveniente solicitar parecer sobre a matéria à Direção-Geral da Administração e do Emprego Público, a qual, veio agora, informar que o entendimento não difere daquele que fora adotado, quando da aplicação da LOE 2011, artigo 19.º, à data se concluiu que as reduções remuneratórias se circunscreviam aos abonos respeitantes a trabalho desenvolvido a partir de 1 de janeiro de 2011».

A Direção-geral da Administração e do Emprego Público entendeu, no seu parecer, que «a redução remuneratória prevista no artigo 33.º da Lei n.º 83-C/2013, de 31 de dezembro, só se aplica às remunerações cujo direito se tenha constituído a partir de 1 de janeiro de 2014, data de entrada em vigor daquela lei».

No documento emitido pela ACSS é ainda referido que o «entendimento foi sancionado pelo Senhor Secretário de Estado da Administração Pública e mereceu a anuência do Senhor Secretário de Estado da Saúde e foi, nesta data, já comunicado às Administrações Regionais de Saúde para efeitos da sua implementação por todas as instituições».

Na sexta-feira várias estruturas sindicais denunciaram que, em todos os serviços do Estado, as horas extraordinárias de 2013, pagas em janeiro, estavam a sofrer cortes com base nas regras previstas no Orçamento do Estado para 2014.