As contas da Segurança Social são uma verdadeira bomba-relógio, e caminham rapidamente para a rutura. A conclusão é retirada do orçamento da Segurança Social, que prevê que o organismo comece a registar défices em vez de excedentes a partir de 2020.

A crise está a escavar um buraco financeiro nas contas da Segurança Social, e a pá que vai abrindo o buraco é o desemprego: por um lado, ao serem pagos menos salários, são pagas menos contribuições para a Segurança Social; por outro, ao haver mais desempregados, a Segurança Social gasta mais em subsídios de desemprego.

E o pior é que, a isto, soma-se ainda o envelhecimento da população, que ajuda a antecipar a data de rutura financeira no sistema contributivo da Segurança Social.

Em 2020, a balança deverá finalmente desequilibrar-se e, do habitual excedente, passar a registar um défice, que se estima em 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, um saldo negativo de 640 milhões.

O valor é o dobro do que se estimava no último orçamento, que apontava para os 0,2% do PIB, ou 330 milhões de euros.

O saldo negativo terá de ser compensado, quer por transferências do Orçamento do Estado (onde uma das principais receitas são os impostos), quer pelo recurso ao Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, uma espécie de conta-poupança para momentos de maior aperto.