A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) confirmou esta quarta-feira que está a analisar um aumento de capital do BES, que segundo a imprensa poderá rondar os mil milhões de euros.

«A CMVM está a analisar o pedido que entrou de uma operação de aumento de capital do BES», afirmou à Lusa fonte oficial do regulador, acrescentando que a informação deverá ser comunicada nos próximos dias ao mercado.

Já sobre um aumento de capital do BCP, não foi feito qualquer pedido.

Segundo o Diário Económico de hoje, o BES e o BCP estão a preparar a realização de aumentos de capital.

De acordo com o jornal, a operação do BES, que na quinta-feira apresentará os resultados do primeiro trimestre, estará numa fase mais avançada, prevendo-se que esteja concluído nas primeiras semanas de junho.

O Jornal de Negócios noticiou, entretanto, que os bancos UBS, Morgan Stanley e BES Investimento serão os coordenadores globais da operação de aumento de capital que deverá rondar os mil milhões de euros e que o sindicato bancário incluirá ainda o Bank of America, o JP Morgan, o Citi e o Nomura.

Em Fevereiro, na presentação de resultados do BES de 2013 (ano em que o banco teve prejuízos de 517,6 milhões de euros), o presidente do banco, Ricardo Salgado, admitiu um novo aumento de capital no banco.

Em 2012, enquanto CGD, BCP e BPI se recapitalizaram com recurso a dinheiros públicos, o BES aumentou capital por meios próprios e evitou a entrada do Estado na instituição.

O grupo Espírito Santo está ainda a passar por um processo de reestruturação, de forma a tornar a estrutura mais simples e responder a recomendações do Banco de Portugal.

Com as alterações, a Rioforte (que detém a área não financeira) deverá passar a ser a holding central do grupo, ficando sob a sua alçada a parte financeira do grupo (BES, BES Investimento e seguradora Tranquilidade, hoje na alçada do Espírito Santo Financial Group), assim como as áreas não financeiras.

A reestruturação deverá passar também pela extinção da BESPAR, 'holding' detida pela Espírito Santo Financial Group e pelo francês Crédit Agricole, que controla o BES, passando estes acionistas a terem participações diretas no banco.

Quanto à operação de aumento de capital do BCP, a imprensa noticiou hoje que esta estará a ser estudada juntamente com o JPMorgan e será um aumento de capital superior a 1,5 mil milhões de euros, tendo em vista acelerar de forma significativa o reembolso do apoio do Estado de 3 mil milhões de euros, injetados em junho de 2012 através das chamadas 'CoCo bonds' (obrigações convertíveis).

O presidente do BCP, Nuno Amado, disse hoje aos jornalistas, à margem de um evento em Lisboa, que não há decisão sobre qualquer aumento de capital.