O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) considera que Portugal fez tudo o que se lhe exigia e que deve usar os resultados que estão à vista, como o crescimento da economia no segundo trimestre, para renegociar com a troika os prazos do resgate internacional.

Em entrevista à TVI, no Jornal das 8, António Saraiva sugere que «deveríamos ter um esforço minorado, não nos deviam pedir tanto não em tão curto espaço de tempo». Para o responsável, as reformas em curso, nomeadamente a da Administração Pública vão exigir muitos cortes, «e o Orçamento do Estado de 2014 vai ter que espelhar um pouco esses cortes, não estaremos a falar dos 4 mil milhões, mas de 2 mil». Mesmo assim, diz, «é demasiado violento. Temos de ter um espaço temporal maior para diluirmos e para que o amortecimento seja feito com maior razoabilidade e não tenhamos um ajustamento tão rápido».

António Saraiva quer que o Governo tenha uma «voz mais firme e determinante junto das lideranças» das entidades internacionais, especialmente durante as oitava e nona avaliações da troika ao programa português, que vão decocrrer em simultâneo em setembro.

Referindo-se ao crescimento da economia no segundo trimestre do ano, após 10 trimestres de contração, Saraiva diz que «fomos um bom aluno, os resultados estão à vista, finalmente começamos a vislumbrar que os sacrifícios que foram pedidos a todos os portugueses e a resiliência das empresas, estão a dar alguns resultados». Por isso, o Governo deve agora, «demonstrando estes resultados, que fizemos bem o trabalho que nos competia», argumentar que «Portugal sozinho não consegue sair deste aperto a que chegámos».

Mostrando-se «relativamente otimista em relação ao que pode sair da próxima avaliação», Saraiva explicou que «os resultados começam a ser demonstrados, Portugal merece ser visto com outros olhos, os esforços que todos temos feito devem ser recompensados e se a troika quer ter um bom exemplo para apresentar, o exemplo português pode ser esse bom exemplo».

Questionado se os «bons resultados» que começam a aparecer são a prova de que a política da troika e de Vítor Gaspar faziam sentido, o representante dos empresários respondeu: «Algum sentido terão feito porque os resultados começam finalmente a estar à vista».

Saraiva sublinhou sobretudo que o crescimento em cadeia do Produto Interno Bruto (PIB) induz confiança nos agentes económicos. «Se há carência nos agentes económicos é de confiança e este sinal pelo menos vem trazer esperança, confiança aos agentes económicos para acreditarem que finalmente batemos no fundo e que agora temos todas as condições para corrigir alguns dos ajustamentos, removendo alguns dos obstáculos que ainda hoje estão instalados para o desenvolvimento empresarial».

O maior elogio do presidente da CIP vai para os empresários. «As exportações são prova da resiliência das nossas empresas e mostram que, apesar do enquadramento desfavorável, de termos seguros de crédito à exportação com problemas, financiamento a crédito com vários problemas, os nossos empresários conseguiram».

Atualmente 50% das exportações portuguesas destinam-se à União Europeia, mas os empresários «conseguiram também entrar em novos mercados, nomeadamente mercados emergentes. A resiliência dos empresários é notável».

Sinais positivos precisam-se também no mercado de trabalho mas, segundo António Saraiva, «a criação de emprego conseguir-se-á quando as empresas gerarem um volume de encomendas maior e lhes for dada a possibilidade de, nestes novos mercados, aumentarem as suas vendas, ou se, no mercado interno, trocarmos importações por fabrico nacional».