O presidente da Comissão Europeia considerou esta segunda-feira que, embora ainda seja «um bocado cedo» para decidir a melhor forma de Portugal sair do seu programa de ajustamento, o recurso a um programa cautelar será, à partida, «a melhor opção».

«O programa cautelar com certeza que garante mais confiança, mais segurança. À partida, será a melhor opção. Mas é ainda um bocado cedo para nos pronunciarmos sobre isso agora, não estamos ainda aí. O que é importante é continuar a executar o programa com determinação e conseguirmos verificar, do ponto de vista da confiança dos investidores internacionais, se há ou não condições para Portugal sair com êxito deste programa de ajustamento», afirmou José Manuel Durão Barroso, em Bruxelas, escreve a Lusa.

Em declarações a jornalistas portugueses, na sede da Comissão Europeia, à margem de uma atuação do grupo «Cantorias», que se deslocou a Bruxelas para «Cantar as Janeiras» ao presidente do executivo comunitário, Durão Barroso ressalvou todavia que «se há um programa cautelar ou não, francamente essa não é a questão neste momento» e «essa questão terá de ser avaliada na altura, em função da confiança dos investidores, e de modo a garantir a maior segurança a Portugal».

«O que interessa é saber qual é a melhor solução: se Portugal conseguir voltar a financiar-se autonomamente, se é melhor fazer com ou sem um programa cautelar», disse, admitindo então depois que, «à partida», a primeira opção será melhor, dado conferir «mais segurança».

Questionado sobre se acredita que 2014 será o ano do fim da crise em Portugal, José Manuel Durão Barroso disse crer que sim, embora alertando que os efeitos «na vida concreta das pessoas» demoram sempre algum tempo a fazer-se sentir.

«Esperemos que sim, eu acho que os sinais são positivos. Os sinais macroeconómicos vão todos no bom sentido. Não apenas o crescimento, mas sobretudo a redução do desemprego e, muito importante, a confiança dos investidores», disse, apontando designadamente o sucesso da emissão de dívida a cinco anos realizada na passada quinta-feira.

«Esta emissão de dívida foi um sucesso. Esperemos que seja confirmada a tendência noutras emissões de dívida. A verdade é que Portugal hoje está a ser visto pelos investidores internacionais de uma forma muito mais positiva do que aquela que sabíamos existir há alguns anos», disse, acrescentando que essa sempre foi a convicção da Comissão, desde que Portugal «mantivesse o seu compromisso com o programa de ajustamento».

Durão Barroso sublinhou que a conclusão bem-sucedida do programa de ajustamento ¿ prevista para maio próximo ¿ será, acima de tudo, «uma vitória» para o país e «será muito bom para Portugal e para os portugueses».

«Não nos esqueçamos que há poucos meses atrás as pessoas diziam o contrário. Portugal estava a ser cada vez mais desvalorizado nos mercados, as pessoas diziam que Portugal não era capaz de conseguir. E agora o sentimento geral é que Portugal vai conseguir. Eu espero que Portugal não perca esta oportunidade, que Portugal não desperdice agora todos os esforços extraordinários que foram feitos, os sacrifícios que os portugueses tiveram que suportar», disse.

Por fim, o presidente do executivo comunitário admitiu que «no plano da vida concreta das pessoas, ainda não se estão a sentir esses resultados, mas é sempre assim».

«Há uma distância no tempo entre a mudança dos indicadores económicos, nomeadamente em termos de confiança, quer dos investidores, quer dos consumidores, e os resultados, nomeadamente em termos do emprego», justificou.

Durão Barroso já expressara esta ideia numa curta intervenção que fez após a atuação do grupo de cantares «Cantorias», de Vila Chã de Chá, Viseu, que de deslocou à sede do executivo comunitário para «Cantar as Janeiras» ao presidente da Comissão e desejar-lhe um bom ano.