«O volume de negócios centrado na aquisição de casa própria», que existiu nas últimas décadas, «deixou de ser dominante e todos quantos atuavam neste mercado tiveram de procurar novas abordagens e novos negócios em torno do imobiliário», revela o presidente da APEMIP, a Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária, Luís Lima.

«O que significa possuir uma habitação, além de uma maior carga fiscal e obras? Pouco mais. As pessoas já não querem um carro para a vida, um corte de cabelo intocável. Hoje mais que nunca, a nossa vida está em constante mudança, e como tal faz sentido esta especialização no arrendamento», constata Ulisses Dias, da ArrendaCasa, um site de classificados dedicado a este mercado.

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Fecha-se uma porta abre-se uma janela? O imobiliário fez um lifting e tem-se tentado adaptar, com novas abordagens. «Um ano de crise? Perfeito. Estamos a atravessar um período em que se mudam paradigmas e as pessoas estão atentas a boas oportunidades de negócio. Criam-se nichos de mercado, as pessoas estão dispostas a mudar», como conta Ulisses Dias.

«O ArrendaCasa nasce de uma sociedade, que juntou dois mundos. O Carlos é gerente de uma imobiliária e vinha a interpretar as mudanças no setor, a dificuldade no acesso ao crédito bancário, o próprio aumento de mobilidade das pessoas. O Ulisses é gerente de uma agência de comunicação, e portanto um especialista em marketing, soluções tecnológicas, redes sociais. Foi uma união feliz, e muito harmoniosa». Foi o casamento entre estes dois profissionais que criou o site dedicado exclusivamente a encontrar a «casa-metade».

«No plano teórico, sim, somos um site de classificados. Não interferimos na negociação nem cobramos qualquer percentagem ou taxa por negócio concluído. As imobiliárias «também usam intensamente o portal para divulgar os seus imóveis. Poder-se-ia dizer que somos um site de classificados new age. E amigo do utilizador», ou seja, «apostámos numa linguagem e apresentação cuidadas, temos esse tipo de cuidado para com o nosso público. Não nos limitámos a despejar anúncios numa lista infindável», explica Ulisses Dias.

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«O projeto ainda se encontra na infância. Ainda assim, a procura (número de visualizações e imóveis inseridos) tem aumentado a um bom ritmo e isso surpreende-nos, uma vez que ainda não investimos em publicidade, se não contarmos com a dinamização da nossa página no Facebook», segundo o fundador.

«A utilização da rede da Internet nos negócios, incluindo nas transações imobiliárias, é crescente. E, dentro da Internet, as chamadas redes sociais, como o Facebook, ganha particular relevo. É uma realidade indesmentível, mas o não posso dizer que os arrendamentos urbanos estejam a tornar-se um negócio viral, para utilizar uma expressão dos cibernautas que traduz uma procura fora do vulgar. Infelizmente não é isso que está a acontecer», afirma Luís Lima, pouco otimista face a estes resultados. «O setor vive num impasse quase crónico».

Luís Lima também mostra pouca fé na nova lei do arrendamento . «A nova lei apenas tem potenciado uma velha guerra entre inquilinos e senhorios», e defende que «para realmente dinamizar o setor importa gerar condições para que haja confiança no mercado de arrendamento, por parte dos potenciais investidores, condições que passam por uma fiscalidade mais justa sobre o património imobiliário e sobre os rendimentos que ele possa gerar, e por uma fiscalidade que se mantenha idêntica durante períodos razoáveis ao invés de mudar um função das necessidades financeiras do Estado como agora acontece».