A Comissão Europeia defendeu esta quinta-feira que Portugal precisa de uma redução salarial adicional de 5% para garantir que há um equilíbrio entre a taxa de desemprego e o nível salarial.

Portugal só vai ter crescimento sustentável com reformas estruturais

No relatório sobre a décima avaliação regular ao Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), hoje divulgado, a Comissão Europeia refere que «Portugal precisa de uma moderação salarial suficiente para absorver o desemprego» e apresenta estimativas.

De acordo com os cálculos de Bruxelas, «uma redução de um ponto percentual na taxa de desemprego exige uma redução dos salários reais de cerca de 2,4%» e «era preciso uma queda dos salários reais de 5%» para fechar a diferença entre a taxa de desemprego atual e a taxa de desemprego a partir da qual o nível salarial não leva a novos aumentos do desemprego.

Ou seja, na prática, partindo da relação entre a taxa de desemprego e os salários, a Comissão Europeia defende que, para se chegar a um nível salarial que não aumente o desemprego, os salários reais teriam de descer 5%.

Os técnicos de Bruxelas salvaguardam que é preciso olhar para estas estimativas «com cautela» e que os cálculos «são muito sensíveis à medida usada para a produtividade».

No documento, a Comissão Europeia sublinha o «ajustamento significativo» desde 2010 em matéria de custos unitários do trabalho, que recuaram quase 6% no setor privado entre 2010 e 2013.

No entanto, aponta Bruxelas, Portugal tem «uma posição líquida de investimento internacional muito negativa», pelo que «a estabilização [da balança corrente] pode não ser suficiente para garantir a redução das vulnerabilidades relacionadas com a posição externa» do país.

Utilizando a posição líquida de investimento internacional como um indicador chave a nível macroeconómico, a Comissão considera que é preciso «uma redução segura» deste indicador no médio prazo.