O BNP Paribas reconheceu na segunda-feira ter violado os embargos dos EUA a Cuba, ao Irão e ao Sudão, e aceitou pagar uma multa recorde de 8,9 mil milhões de dólares (6,5 mil milhões de euros).

Ao fim de meses de duras negociações, o banco francês sofreu a sanção mais pesada alguma vez aplicada a um banco estrangeiro a operar nos EUA.

«O BNP prejudicou-se muito por dissimular operações interditas, apagar as pistas e enganar as autoridades [norte-]americanas», disse o ministro da Justiça dos EUA, Eric Holder, em comunicado. «Estes atos representam uma violação grave da lei», acrescentou.

O montante da multa em si ascende a 8,8 mil milhões de dólares e os custos judiciais a 143 milhões, o que eleva o custo total para os 8,9 mil milhões.

Este montante é oito vezes superior ao provisionado pelo grupo (1,1 mil milhões) e equivalente às multas infligidas em 2012, pelos EUA, aos bancos estrangeiros, casos dos britânicos HSBC (1,36 mil milhões de euros) e Standard Chartered (483 milhões de euros) e ao holandês ING (446 milhões de euros). Em maio deste ano, o Credit Suisse foi multado em 2,6 mil milhões de dólares por incitação à evasão fiscal.

A multa representa o montante que o BNP reconheceu ter feito passar pelos EUA em nome de clientes sudaneses (6,4 mil milhões de dólares), cubanos (1,7 mil milhões) e iranianos (650 milhões).

A admissão de culpa, situação excecional para uma empresa, é arriscada, porque expõe o BNP a pedidos de indemnização por terceiros e à possibilidade de alguns fundos de pensões, ou coletividades locais, não poderem continuar a ter relações comerciais consigo.

As sanções incluem também uma suspensão por um ano das suas atividades em dólares, em particular nas operações de petróleo e gás, a contar de 01 de janeiro de 2015, segundo um comunicado do governador de Nova Iorque.

Para além destas sanções, o BNP Paribas, para apaziguar a ira dos EUA, teve de fazer punições internas.

Cinco dirigentes de topo, entre os quais o diretor-geral-delegado, Georges Chodron de Courcel, e oito outros dirigentes ligados às operações criticadas saíram do banco.

No total, 45 banqueiros, dos quais 27 já saíram do banco, sofreram sanções disciplinares, que foram do corte da remuneração ao despedimento.

O inquérito das autoridades norte-americanas envolveu mais de 190 mil milhões de dólares de transações entre 2002 e 2012.