O presidente do Banco BPI, Fernando Ulrich, considerou esta quarta-feira que os portugueses podem estar «tranquilos» quanto à possibilidade de os problemas que vive o Grupo Espírito Santo (GES), cujo principal ativo é o BES, criarem risco sistémico na banca portuguesa.

«Ao longo dos últimos anos, todos aprendemos muito sobre o risco do risco sistémico. A sociedade está hoje melhor preparada do que em 2008, quando rebentou o Lehman Brothers, e o BPN. Podemos estar tranquilos quanto a esse tipo de receios», afirmou o gestor, durante a conferência de imprensa de apresentação de resultados semestrais do BPI.

Questionado sobre os problemas do GES, que foram sendo tornados públicos nos últimos tempos, Ulrich disse que «obviamente que é uma situação muito difícil», mas considerou que isso «é de tal maneira óbvio» que não acrescenta nada de positivo ao dizê-lo, já que está à vista de todos.

«Em primeiro lugar, não constatei que houvesse nenhum problema de especial no BES», frisou, acrescentando que «o que é público e notório é que holdings acima do BES - Espírito Santo Financial Group (ESFG), Rio Forte e Espírito Santo International (ESI) - destas três sociedades, duas [Rio Forte e ESI] pediram proteção de credores, o que torna público que têm grandes dificuldades».

Ainda assim, realçou que «se um acionista do BES tem problemas financeiros, isso não é imputável ao BES».

Ulrich disse que a administração do BPI, pelas responsabilidades que tem, acompanha «com toda a atenção» o que se passa no GES e no BES.

«Sigo com a máxima atenção e dedico parte do meu dia a perceber o que se passa e as implicações que pode ter, mas não vou fazer nenhum comentário», sublinhou.

Confrontado com umas declarações que proferiu recentemente num evento em Lisboa sobre os problemas do GES, que qualificou como um «abscesso» no caminho que Portugal está a fazer para reconquistar a credibilidade internacional e voltar ao crescimento económico, Ulrich foi esclarecedor.

«A ideia do abscesso é algo que é confinado a uma situação concreta, algo que passa e fica sem sequelas. Não se propaga a outros. É possível tratar e não tem mais implicações», referiu, garantindo que, na altura, não queria «estar a contribuir para um empolamento desnecessário».

E salientou: «Não tenho ações do BES, nem eu, nem o BPI, por isso não quero dar explicações sobre o BES».