O ministro da presidência e assuntos parlamentares, Marques Guedes, desvalorizou esta quinta-feira os riscos para os contribuintes do empréstimo ao BES, salientando a responsabilidade de «todo» o sistema bancário sobre o empréstimo ao BES.

Bancos ainda não transferiram contribuição para o Fundo de Resolução

«Vamos ser claros para que as pessoas possam entender de forma simples a situação. Na situação do BES havia três saídas: a nacionalização, a falência ou a que veio a ser a solução, a resolução ao abrigo das novas regras europeias que permitem a criação de um banco ao lado para onde são transferidos os ativos tóxicos», afirmou no final do conselho de ministros de hoje, citado pela Lusa.

O ministro explicou que, depois da experiência «muito negativa para os contribuintes» de nacionalizar o BPN, a nacionalização «não foi uma solução possível» e a falência «também não foi encarada» pelo sistema financeiro e pelo regulador.

«A decisão que foi tomada é a solução mais correta, mais adequada, dentro da situação grave a que se chegou. O que importa riscos para os contribuintes é a nacionalização», frisou, salientando que o empréstimo de dinheiros públicos «nem é ao banco, é ao fundo de resolução», e que é este que fica com o risco.

«Desta vez, ao contrário do BPN, desta vez o empréstimo é feito ao fundo de resolução que detém 100 por centro do capital do Novo Banco, e a responsabilidade recai, não sobre os contribuintes mas sobre a totalidade do sistema bancário», acrescentou.

Mas o ministro ressalvou que «sempre que há dinheiros públicos envolvidos há sempre um risco potencial», mas defendeu que «é bom que não se criem alarmes».

Marques Guedes defendeu também que «todas as investigações sobre informações privilegiadas devem ocorrer» e, relativamente às suspeitas do Bloco de Esquerda, disse que o Conselho de Ministros «em nenhum momento» teve conhecimento prévio sobre a decisão do regulador quanto ao BES.

«O Conselho de Ministros só fez a transposição de uma diretiva comunitária, a pedido do Banco de Portugal, e para que o BdP pudesse dispor de todos os mecanismo jurídicos para tomar a melhor decisão», disse, escreve a Lusa.