O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou este sábado que o caráter «tecnocrático e profissional» da nova administração do BES poderá ajudar a distinguir o grupo Espírito Santo do banco com o mesmo nome, sendo «um fator de estabilização e confiança».

O Espírito Santo Financial Group (ESFG) anunciou este sábado que vai propor Vítor Bento para presidente executivo do Banco Espírito Santo(BES) e João Moreira Rato para administrador financeiro, num comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), tendo Pedro Passos Coelho sido questionado pelos jornalistas sobre este tema, em Arouca.

«O Grupo Espírito Santo detém ações do banco, mas os negócios da família Espírito Santo não devem ser confundidos com a atividade do Banco Espírito Santo. O facto de estarmos próximos - segundo as notícias que vieram a público - de poder ter uma nova administração no banco que tem um caráter tecnocrático, tem um caráter profissional, que não se confunde com os administradores do Grupo Espírito Santo, que isso ajude à generalidade das pessoas a fazer melhor essa diferença e seja um fator de estabilização e de confiança para o próprio banco», sublinhou.

Banco de Portugal: novos titulares do BES atendem às «preocupações»

De acordo com a Lusa, Pedro Passos Coelho garantiu não ter «nenhuma razão para pensar que há um problema no Banco Espírito Santo». O primeiro-ministro aproveitou para afirmar que «apesar do Grupo Espírito Santo ter o mesmo nome do Banco Espírito Santo são duas realidades diferentes».

«O Banco Espírito Santo tem vindo a ser supervisionado pelo Banco de Portugal e não nos merece, nesta altura, nenhuma apreensão», enfatizou.

Seguro pede reunião a Carlos Costa

Sobre os «problemas reconhecidos pelos próprios administradores» do Grupo Espírito Santo, o primeiro-ministro espera que «possam ser enfrentados pelo grupo e que possam ser resolvidos juntamente com os seus credores», mas realçou que «essa não é uma questão para a qual o Estado tenha que ser chamado».

«É uma questão que terá implicações económicas, mas não compete ao Estado estar a resolver os problemas que os privados possam ter com os seus contratos, investidores, clientes. Essa não é a função do Estado», justificou.

BE acusa Governo de partidarizar o BES

Pedro Passos Coelho disse ainda que «o Governo está descansado com o nosso sistema financeiro» e que nunca ninguém ouviu do governante «uma palavra de desconforto com o que se passa» a esse nível.

«Nós estamos conscientes de que todo o processo que agora está a ser concluído de avaliação de qualidade dos ativos financeiros, por um lado, e por outro lado dos "stress test" [testes de stress] que se irão seguir, confirmarão, é a nossa perspetiva, a saúde do sistema financeiro português, a resiliência do sistema financeiro português», respondeu.