A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, garantiu que a nacionalização do Grupo Espírito Santo (GES) está totalmente posta de parte pelo Governo, e que não está em curso nenhum plano de recapitalização do BES com capitais públicos.

«A nacionalização do grupo não está, nem estará, em cima da mesa», afirmou a responsável no Parlamento, numa audição dedicada à situação no GES, durante a qual também negou que estejam em curso iniciativas para usar capitais públicos na recapitalização do Banco Espírito Santo (BES), o principal ativo do grupo.

«Cabe aos privados resolver os seus problemas», disse a ministra.

Ministra manifesta confiança na supervisão do Banco de Portugal.

«Não estamos a preparar a recapitalização do BES. Não temos nenhuma informação que uma recapitalização pública seja necessária», realçou, perante as questões colocadas pelos deputados na comissão do Orçamento e Finanças.

A governante realçou que «o Estado português não é acionista, nem participa nas decisões dos acionistas», isto, porque «não há capital público no BES».

Confrontada com a possibilidade de o GES se transformar num novo caso BPN (Banco Português de Negócios, que foi nacionalizado em 2008 e posteriormente reprivatizado), Maria Luís Albuquerque foi taxativa.

«A situação do BPN não se pode repetir», afirmou, em resposta às preocupações manifestadas por alguns deputados da oposição face aos problemas no GES, considerando que «deve haver apuramento de responsabilidade em função dos factos que venham a ser apurados».

Isto, face ao «princípio básico de funcionamento de uma sociedade de direito», como cita a Lusa.

A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, assegurou no Parlamento que não foi consultada sobre as nomeações para a nova equipa de gestão do BES, e que o executivo de Passos Coelho não desempenhou qualquer papel nesta matéria.

«Não fui consultada, nem questionada, nem ouvida, sobre as nomeações do BES. Nem teria que ter sido», afirmou a responsável perante os deputados numa audição na comissão do Orçamento e Finanças.

«Não tive qualquer influência nessa decisão dos convites que foram endereçados pelos acionistas. As pessoas entenderam aceitar esses convites e são decisões pessoais», reforçou a governante.

E confidenciou: «Tive conhecimento que João Moreira Rato [ex-presidente do IGCP] tinha aceitado o convite ao mesmo tempo que estava a sair na comunicação social».

Pouco depois, a ministra reforçou que «o Governo nada teve a ver com a escolha do Conselho de Administração do BES».

Logo no início da sua audição, a governante tinha sido questionada por Pedro Filipe Soares, deputado do Bloco de Esquerda, sobre um suposto «assalto» do PSD ao BES.