O BES afastou esta quarta-feira a possibilidade de uma mudança da estrutura acionista ou do capital do BES Investimento, depois de o presidente da última entidade ter dito que quer avançar com um aumento de capital através de uma parceria internacional, escreve a Lusa.

«O Banco Espírito Santo [BES] esclarece que não está a apreciar nenhuma operação de alteração da estrutura acionista ou do capital da sua subsidiária Banco Espírito Santo de Investimento, da qual detém 100% do capital», lê-se num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Isto, depois de na sexta-feira passada, José Maria Ricciardi, presidente do BES Investimento, que era apontado como possível sucessor do primo Ricardo Salgado na liderança do BES, ter anunciado que se vai dedicar ao desenvolvimento do banco de investimento através de um aumento de capital.

«José Maria Espírito Santo Silva Ricciardi, vem transmitir publicamente que irá optar por desenvolver a sua carreira bancária no Banco Espírito Santo de Investimento, onde exerce o cargo de presidente da comissão executiva, apostando num projeto de natureza estratégica que pressupõe a separação da banca de investimento da banca comercial», lê-se numa declaração do responsável.

Esta opção está em «harmonia com o modelo de governance [governação] que tem vindo a ser desenvolvido no mercado bancário internacional», realçou Ricciardi.

O banqueiro sublinhou que «tendo já sido reconhecida a sua idoneidade pela entidade de supervisão [Banco de Portugal] e o registo do seu mandato, propõe-se desenvolver uma parceria internacional que passará por um aumento de capital de significativa envergadura no Banco Espírito Santo de Investimento».

Segundo o responsável, este reforço de capital «contribuirá não só para o reforço da implementação da instituição e da sua capacidade de intervenção no mercado, como ainda para a obtenção de consideráveis benefícios para a economia nacional».

Este anúncio de Ricciardi surgiu no dia em que se confirmou a iminente saída de Ricardo Salgado da liderança do Banco Espírito Santo (BES).

Foi agendada na sexta-feira uma assembleia-geral extraordinária do BES para 31 de julho, na qual os acionistas serão confrontados com as propostas do principal acionista do banco, o Espírito Santo Financial Group (ESFG), com 25,1%, entre as quais se destaca a saída do líder histórico Ricardo Salgado da presidência do banco.

O banqueiro deverá ser substituído na liderança da instituição por Amílcar Morais Pires, atual administrador financeiro, mas não vai dizer adeus à instituição.

Porque, caso os acionistas assim o aprovem na reunião magna, vai a presidir um novo órgão do banco, o conselho estratégico.

Já na segunda-feira, José Maria Ricciardi anunciou que vai sair de todos os órgãos sociais das empresas do Grupo Espírito Santo (GES), dedicando-se em exclusivo ao banco de investimento.