O governador do Banco de Portugal criticou esta quarta-feira as atitudes da semana passada, que causaram uma crise política em Portugal, lembrando que essa crise comprometeu a credibilidade do País e que Portugal precisa dessa credibilidade para regressar aos mercados.

Carlos Costa, que falava numa conferência em Lisboa, sublinhou que, quando terminar o atual programa de ajustamento, em meados de 2014, Portugal precisará dessa credibilidade para continuar a ser ajudado pelos credores internacionais, através de um «resgate suave».

Um «resgate suave» é um programa menos exigente, em que o país recupera boa parte da soberania. Nos circuitos europeus tem-se falado da possibilidade de uma linha de crédito cautelar, que ajude Portugal a voltar plenamente aos mercados de dívida, depois do fim do atual programa.

Na sua intervenção, o governador alertou que «os próximos nove meses na economia portuguesa são críticos para a fase que se segue» porque «vai ser nestes nove meses que vamos ter a possibilidade de afirmar a credibilidade dos nossos compromissos e voltar à situação normal», explicou.

Essa credibilidade «é possível» se Portugal conseguir «confirmar junto dos mercados que nos comprometemos com uma curva descendente da dívida pública», mas «tem que ficar imune à alternância» política nas próximas legislaturas.

Avisando que só assim Portugal conseguirá «a boa vontade das contrapartes», Carlos Costa defendeu que «saibamos nós jogar o jogo europeu com responsabilidade, saibamos nós jogar o binómio da responsabilidade-credibilidade, saibamos nós jogar o jogo com virtude», e «alguém porá sempre uma bênção», disse.