O Banco Comercial Português (BCP) reembolsou o Estado em 400 milhões de euros relativos a instrumentos de capital core tier 1 (CoCos), cumprindo a primeira etapa do plano de reembolso e mostrando «a vitalidade do banco», informou a instituição financeira.

Em comunicado enviado à Comissão do mercado de valores Mobiliários (CMVM), o BCP informa que «procedeu ao reembolso» de 400 milhões de euros de instrumentos de capital core tier 1 [obrigações convertíveis], após «ter obtido do Banco de Portugal (BdP) a devida autorização, na sequência de análise efetuada à evolução dos rácios de capital do banco».

«Este reembolso representa uma prova de vitalidade do Millennium bcp que assim cumpre a primeira etapa do plano de reembolso. O nosso plano sempre previu que iniciaríamos o reembolso este ano. Estamos a fazê-lo ainda durante o primeiro semestre e iremos manter-nos em linha com o planeado, conforme sempre referimos. Trata-se do primeiro passo rumo ao reembolso do apoio do Estado», disse o presidente executivo do BCP, Nuno Amado, à agência Lusa por escrito.

O banco explica que após este reembolso e «considerando os impactos positivos» da venda das participações de 49% nas seguradoras não-vida Ocidental e Médis à parceira Ageas, «o rácio core tier 1 [medida mais eficaz para avaliar a solvabilidade de um banco] proforma a 31 de março de 2014 situar-se-ia em 13,2%» (de acordo com os critérios do BdP), enquanto o rácio common equity tier 1 proforma na mesma data ascenderia a 11,7%" (de acordo com o critério CRD IV/CRR), «acima dos 10% e 7% exigidos, respetivamente».

O presidente executivo do BCP reforçou esta mensagem ao afirmar que aqueles rácios estão «bastante acima dos mínimos regulatórios exigidos», pelo que «é importante notar também que o reembolso tem um impacto não irrelevante ao nível dos resultados, uma vez que estes 400 milhões eram remunerados a uma taxa de 8,75% (9% a partir do mês que vem), o que equivale a uma poupança na margem de mais de 35 milhões de euros por ano».

Com este reembolso, diz o banco na nota enviada ao regulador, «o BCP cumpre o plano definido» para pagamento daqueles instrumentos de capital core tier 1 em 2014, «evidenciando a capacidade de execução do plano estratégico traçado».