O presidente do Banco Central Europeu (BCE) reafirmou esta quinta-feira, na habitual conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Governadores, que as taxas de juro vão continuar baixas durante um período «prolongado» de tempo.

Nesta reunião, o banco central manteve mais uma vez a taxa de referência no mínimo histórico de 0,5%.

O responsável deixou ainda a garantia de que as taxas não deverão subir enquanto a inflação se mantiver controlada.

Mario Draghi justificou esta orientação da política monetária, chamada de forward guidance e que dá sinais aos investidores de que não haverá uma mudança nos próximos tempos, com a debilidade económica e as restrições à concessão de crédito na Zona Euro.

Economia dá sinais positivos, mas...

Isto apesar de o banqueiro ter sublinhado que a situação económica global está a «melhorar lentamente», incluindo os países mais afetados pela crise, pelo que especialmente esses têm de continuar a fazer reformas.

«Olhando para o resto do ano e 2014, o crescimento das exportações na zona euro deve recuperar, com uma recuperação gradual na procura global, enquanto a procura interna deve ser suportada pela política monetária flexível adotada, assim como por ganhos no rendimento disponível devido a inflação geralmente mais baixa», disse.

«Os indicadores de confiança mostraram melhorias face aos níveis baixos e confirmam timidamente a expectativa de estabilização da atividade económica», afirmou Draghi, para quem, «em geral, a atividade económica na zona euro deve estabilizar e recuperar a um ritmo lento».

Riscos para o crescimento ainda são muitos

Apesar das melhorias, o BCE identifica sobretudo riscos negativos para essa recuperação económica, entre eles precisamente a insuficiente implementação das reformas estruturais, a que se juntam as recentes tensões nos mercados, e consequente aumento das taxas de juro.

Sobre a concessão de crédito, Mario Dragyhi considerou existir liquidez suficiente no mercado, e que a mesma continuará «abundante», mas reconheceu que essa disponibilização de dinheiro aos bancos não está a refletir-se na concessão de empréstimos à economia, o que também está a travar a recuperação.

Para o presidente do BCE, o problema está no risco dos devedores e na incerteza que ainda permanece no mercado, que estão a inibir os bancos de conceder mais crédito.