O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou esta quinta-feira que a inflação vai continuar «abaixo mas próxima dos 2% por um longo período de tempo», reiterando que o banco central está «pronto para agir» se for necessário.

O BCE decidiu hoje manter a taxa de juro diretora inalterada depois de em novembro ter decidido cortar os juros das principais operações de refinanciamento para um mínimo histórico de 0,25%.

Em conferência de imprensa, hoje em Frankfurt, Mario Draghi justificou o facto de o BCE não tomar qualquer decisão de política monetária neste momento com «a complexidade da situação e a necessidade de ter mais informação», incluindo os números do Produto Interno Bruto (PIB) para o último trimestre de 2013.

O presidente do BCE disse que as previsões macroeconómicas que serão divulgadas em março vão incluir pela primeira vez estimativas para 2016 e disse ainda acreditar que «os fluxos de crédito são afetados pelo comportamento dos bancos», que vão ser avaliados, pelo que, considerou Mario Draghi, «não se pode excluir que os bancos queiram apresentar a sua melhor informação, o que pode afetar os fluxos de crédito».

No entanto, Mario Draghi reiterou uma garantia que tem vindo a dar nos últimos meses: «Se decidirmos avançar com outras medidas [não convencionais], estamos prontos para isso. Agora sobre que instrumentos vamos usar, isso vai depender das contingências que tivermos de enfrentar».

«Já agimos em novembro, tomámos uma decisão e estamos agora a ver algumas das respostas a essa decisão. É claro que vai levar algum tempo até que as taxas [de juro baixas] se reflitam na economia», acrescentou.

«Continuamos firmemente determinados em manter um alto grau de acomodação monetária [política de juros baixos] e tomar mais decisões se forem precisas», disse Draghi na conferência de imprensa, argumentando que «o BCE continua a esperar que as taxas de juro diretoras permaneçam nos níveis atuais ou em níveis mais baixos por um longo período de tempo».

Além disso, o responsável afirmou que o banco central está a «acompanhar de perto» a volatilidade recente dos mercados financeiros e o seu potencial impacto na política monetária europeia e garantiu que o BCE «está preparado para considerar todos os instrumentos disponíveis».

Para Draghi, «a questão é saber se há deflação e a resposta é não», ainda que - como tem vindo a afirmar - «vá haver uma inflação baixa por um período prolongado de tempo».