O vice-presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio, afirmou esta quinta-feira em Berlim que a instituição está disposta a atuar rapidamente se for necessário e não descarta expandir ainda mais a política monetária.

Constâncio, que falava hoje em Berlim, também disse que o BCE não vê sinais de deflação no conjunto da zona euro.

O euro caiu hoje depois das declarações de Constâncio e trocava-se a meio do dia a 1,3656 dólares, contra 1,3716 dólares nas primeiras horas da negociação europeia do mercado de divisas, segundo operadores citados pela Efe.

Entretanto, no boletim mensal, hoje divulgado, o BCE afirma que «atuará com rapidez, se for necessário» e expandirá mais a política monetária para enfrentar os riscos de um período de baixa inflação demasiado prolongado.

O conselho de governadores «é unanime no seu compromisso de utilizar também instrumentos não convencionais de acordo com o seu mandato para enfrentar eficazmente os riscos de um período de baixa inflação demasiado prolongado», refere o boletim.

«No princípio de junho estarão disponíveis novos dados e análises relativas às perspetivas de inflação e a disponibilidade de empréstimos bancários para o setor privado», segundo o BCE

Especialistas consultados pelo BCE reviram em baixa as previsões para a inflação na zona euro para 2014, 2015 e 2016, facilitando uma atuação da entidade em junho.

Os especialistas consultados pelo BCE preveem agora para 2014 uma inflação de 0,9%, contra 1,1% previsto na consulta anterior, segundo o boletim.

Também preveem uma inflação de 1,3% para 2015 e de 1,5% para 2016, menos uma décima e duas décimas respetivamente do que tinham previsto na consulta do primeiro trimestre.

Em relação ao crescimento económico, os especialistas reviram o indicador em alta, prevendo agora que o Produto Interno Bruto (PIB) aumente 1,1% em 2014, mais uma décima que a estimativa anterior.

Para 2015 e 2016, os especialistas mantiveram as previsões de crescimento do PIB, designadamente em 1,5% e 1,7%.

O desemprego ficará em 11,8% este ano, menos três décimas que o anteriormente previsto, descendo para 11,5% em 2015 e 11% em 2016, também segundo os especialistas consultados pelo BCE.

Na primeira quinta-feira do mês, o BCE manteve a taxa de referência no mínimo histórico de 0,25% e o presidente da entidade, Mario Draghi, disse que a entidade estaria disposta a atuar em junho, mas que primeiro queria ter as novas projeções da inflação do pessoal do BCE.

O Bundesbank opõe-se a uma compra massiva de dívida para ativar a economia, mas aceita descer de novo a taxa de juro de referência e comprar uma seleção de ativos.

O PIB da zona euro cresceu 0,2% no primeiro trimestre face ao anterior e a taxa de inflação situou-se em abril em 0,7%, muito abaixo do objetivo do BCE (2%).