O Banif publicou esta quinta-feira o prospeto do aumento de capital dirigido ao público em geral, de 138,5 milhões de euros, que arranca na sexta-feira e decorre até dia 30.

No documento de 431 páginas enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o banco, que recebeu apoio do Estado, refere que a emissão de novas ações até 138,5 milhões de euros, decidida pelo conselho de administração no mês passado, tem por objetivo concluir o aumento de capital acordado com o Estado.

Os acionistas do Banif terão prioridade nesta oferta pública, vendo atribuídas a si «as novas ações em proporção das ações do Banif por si detidas à data de referência, na proporção de uma ação por cada 7,34917036 ações detidas», sendo os resultados conhecidos a 02 de junho.

Aquando do anúncio da oferta pública, a 14 de abril, o presidente executivo do Banif, Jorge Tomé, disse que, apesar desta decisão, o banco continua em negociações com a Guiné Equatorial para a eventual entrada de uma empresa do país (de gás ou de petróleo) ou do fundo soberano da Guiné Equatorial no capital do banco.

Segundo o memorando de entendimento inicialmente acordado, a Guiné Equatorial poderia injetar cerca de 133 milhões de euros no Banif, equivalente a uma participação de 11%.

Jorge Tomé afirmou, na altura, que a administração tomou a decisão de avançar com esta oferta pública «considerando as condições do mercado» que melhoraram nas últimas semanas, mas adiantou que não está posta de parte a possibilidade de a Guiné Equatorial subscrever ações nesta operação, que serão colocadas à venda a 0,01 euros (1 cêntimo).

Em janeiro de 2013, o Estado injetou 1.100 milhões de euros no Banif, ficando como acionista maioritário, sendo que 700 milhões foram em ações e 400 milhões em instrumentos de dívida convertíveis em ações, as chamadas 'CoCo bonds', pelas quais o banco paga um juro anual que começa a 9,5%.

Em troca, o banco ficou obrigado a fazer pagamentos regulares ao Estado para recomprar parte das ¿CoCo', tendo já devolvido 275 milhões de euros.

Ainda como contrapartida pela ajuda do Estado, o Banif ficou obrigado a realizar um aumento de capital de 450 milhões de euros junto de investidores privados, com o objetivo de reduzir a participação estatal para 60,57% do capital e 49,41% dos direitos de voto.

Até ao momento, o Banif arrecadou 311,4 milhões de euros em quatro aumentos de capital, detendo o Estado português 68,8% do banco, faltando o restante para sair do controlo público.

São os restantes 138 milhões de euros que o banco quer agora ir buscar ao público em geral através da oferta pública de subscrição.

Em 2013, o Banif teve prejuízos de 470,3 milhões de euros, naquele que foi o terceiro ano consecutivo de resultados negativos, ainda assim menos 19,5% do que os 584,2 milhões de euros de 2012.