Os bancos portugueses estão bem capitalizados e preparados para passar nos exercícios do Banco Central Europeu (BCE), assegurou esta quinta-feira o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, afastando a necessidade de recurso à linha de recapitalização da troika.

«Os bancos portugueses têm níveis de capitalização adequados, almofadas de capital adequadas e estão sujeitos a um acompanhamento muito próximo da qualidade dos ativos. Portanto, eu não estou à espera que os bancos tenham necessidades de capital para além daquelas que já foram objeto do processo de recapitalização», afirmou aos jornalistas o governador, no final da comissão parlamentar do Orçamento e Finanças.

«De qualquer forma, ter um fundo de recapitalização disponível é a melhor garantia que nós podemos dar aos depositantes e aos mercados de que os bancos portugueses, não só estão seguros, como ainda estão a trabalhar com uma rede de segurança que é o fundo de recapitalização, constituído no âmbito da intervenção da troika», sublinhou.

«Quando um de nós tem em casa um elemento para combater um fogo, não está à espera que aconteça um fogo. Quando, além disso, tem todas as condições de segurança para o efeito, ainda menos está à espera que isso aconteça», reforçou.

Durante as suas intervenções no decorrer da comissão parlamentar, Carlos Costa tinha já defendido esta posição aos deputados.

«Tomámos um conjunto de medidas que levam a que nós hoje tenhamos balanços dos bancos que foram sujeitos a três processos de supervisão externa. Simultaneamente, foi feita a recapitalização dos bancos - todos têm rácios de capital core tier 1 acima de 10% e todos têm almofadas para um cenário de stress», realçou Carlos Costa.

Segundo o responsável, há ainda «um processo de acompanhamento cada vez mais estreito do balanço dos bancos».

Daí, manifestou a sua «confiança» na avaliação positiva da banca portuguesa nos exercícios que serão produzidos pelo BCE.

«O processo de avaliação [à correspondência entre os balanços e a realidade patrimonial] que vai ser seguido é muito semelhante ao seguido por nós. E os testes de stress também vão ter semelhanças com os do Banco de Portugal», vincou Carlos Costa, ainda que frisando que poderão haver diferenças em termos dos parâmetros utilizados e que podem ditar resultados distintos.

«Nós conhecemos hoje melhor o setor financeiro do que a maioria dos supervisores envolvidos na criação da União Bancária. Nós hoje somos considerados como uma referência nalguns destes domínios e há bancos centrais que vêm ter connosco e pedem para verificar o que fizemos. Agora, isto não significa que haja diferenças de avaliação», afirmou aos deputados.

«Pode haver pequenas diferenças nos critérios que podem resultar em imparidades», admitiu o governador, jogando à defesa.

Ainda assim, garantiu que o Banco de Portugal encara este exercício com um «grau de confiança assinalável».