O presidente da Associação Portuguesa de Bancos, Faria de Oliveira, disse esta quarta-feira que a banca portuguesa deverá voltar aos resultados positivos em 2015, devendo fechar este ano com resultados negativos, naquele que deverá ser o quarto ano consecutivo.

«A rentabilidade ainda deverá ser globalmente negativa em 2014, mas já poderá sair do vermelho em 2015 se a situação económica for melhorando, ainda que a margem financeira [dos bancos] continue sobre forte pressão com o atual [baixo] valor da [taxa de juro] Euribor», disse hoje Faria de Oliveira, numa conferência no Parlamento sobre a União Bancária e o financiamento da economia portuguesa.

Para o presidente da associação que agrega os principais bancos a operar em Portugal, a rentabilidade é o principal problema com que se confrontam as instituições financeiras, uma vez que já se encontram numa «situação de liquidez razoavelmente confortável» e que reforçaram os rácios de capital, cujos níveis elevados agora lhes «permitem acomodar os prejuízos».

Desde há três anos que o setor bancário português tem registado elevados prejuízos.

Em 2011, entre os cinco principais bancos a operar em Portugal, apenas o Santander Totta teve lucros, com os restantes quatro maiores bancos a operarem em Portugal a registarem prejuízos acumulados de 1.587 milhões de euros.

Já em 2012, além do Totta, também o BES e o BPI tiveram resultados positivos, mas insuficientes para evitarem que o setor fechasse no vermelho perante os prejuízos de 1.219 milhões de euros do BCP e as perdas de 395 milhões de euros da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Por fim, em 2013, o BES regressou a resultados negativos (517,6 milhões de euros), juntando-se à CGD (575,8 milhões de euros) e ao BCP (740 milhões de euros). Já BPI e Santander Totta tiveram lucros, de 66,8 milhões de euros e 102 milhões de euros, respetivamente.