Atualizada com mais pormenores às 17h00

Os analistas não têm dúvidas de que Portugal vai precisar de um segundo resgate, depois de a crise política, desencadeada pela demissão de Paulo Portas, ter feito disparar os juros da dívida no mercado secundário e tornado muito mais improvável o regresso aos mercados. A maioria aposta numa queda do Governo que, dizem, pode ocorrer nas próximas 24 horas.

Essa é, precisamente a previsão do Saxo Bank. «Esperamos que o Governo caia no decurso das próximas 48 horas. Novas eleições serão convocadas sob uma enorme pressão anti-austeridade», prevê o economista-chefe do Saxo Bank, Steen Jakobsen, citado pelo «The Wall Street Journal».

Numa nota citada pela AFP, o mesmo economista diz que «provavelmente o Governo vai cair nas próximas 48 horas. A coligação está a cair rapidamente», acrescenta na sua nota. «Portugal é quem mais perde esta manhã. Prevejo que Portugal pedirá um segundo resgate nos próximos seis meses», diz, sublinhando que «as taxas de juro (da dívida pública) a 10 anos nos 8% são insustentáveis».



Mas não é o único. Também o BNP Paribas prevê que Portugal vai pedir um segundo resgate.

O Citigroup também acredita que Portugal «siga as pisadas da Grécia e de Chipre», prevendo igualmente um segundo resgate que, explica, terá de incluir alguma reestruturação da dívida.

«A estabilidade política e o apoio ao programa de ajustamento em Portugal que existia nos últimos anos desapareceu», afirma o banco norte-americano, sublinhando que «os desenvolvimentos políticos inesperados em Portugal comprovam como o ímpeto contínuo na austeridade degradou completamente o capital político do governo».

A demissão de Paulo Portas, diz, «reduziu as hipóteses de uma saída suave do atual programa de ajustamento até meados de 2014» e «um segundo pacote de resgate parece agora mais provável». Um segundo programa que deverá incluir «algum tipo de reestruturação da dívida pública, nas pisadas da Grécia e de Chipre».

Admitindo a possibilidade de um Governo de união nacional, a aposta do banco vai para a realização de novas eleições.

Outros bancos internacionais, como o Bank of America Merrill Lynch e o Royal Bank of Scotland, disseram já também acreditar que Portugal necessitará de mais do que apenas um programa cautelar e que um novo resgate total envolveria uma reestruturação da dívida. Os dois bancos acreditam que a participação dos investidores privados será uma exigencia da troika para conceder mais ajuda.

BESI avisa que bolsa vai cair e juros da dívida vão subir

Também o BES Investimento emitiu uma análise, onde antecipa os vários cenários políticos que se colocam agora a Portugal e conclui que, qualquer que seja a evolução da crise atual, no curto prazo, todos os ativos portugueses vão ser castigados pela instabilidade.

Na nota, citada pelo «Jornal de Negócios», o banco antecipa que, em termos de bolsa, «as empresas mais expostas ao mercado doméstico» e os sectores cuja avaliação de risco está mais ligada à evolução do país, como é o caso da banca e das telecomunicações, serão os mais penalizados.

No caso de eleições antecipadas, um dos cenários possíveis, o BESI admite como provável uma vitória do PS, dado que tem sido esse o partido a liderar as sondagens. E nesse cenário, «acreditamos que o resultado mais provável será uma atenuação ligeira da política de austeridade mas, na nossa opinião e levando em consideração recentes declarações do líder do PS, as mudanças de política não serão dramáticas».